Descobertas marcianas

O desenho retrata a sonda Phoenix cavando o solo marciano (ilustração: NASA/JPL – Caltech/Universidade do Arizona).

Neve, neblina, geada… Parece previsão do tempo? Pois tudo isso a sonda Phoenix encontrou no planeta Marte. Entre maio e outubro de 2008, a missão investigou o polo norte do planeta e seus achados sugerem que já houve água líquida no território marciano, algo fundamental para que tenha havido vida por lá no passado.

A Phoenix foi enviada pela Nasa, a agência espacial norte-americana, para comprovar a presença de gelo em Marte. Com um braço robótico, ela cavou o solo marciano e achou uma camada de gelo em uma profundidade de cinco a 18 centímetros, mandando imagens para a Terra. “A formação de gelo na parte subterrânea aconteceu devido ao vapor de água da atmosfera que penetrou pelos poros do solo e congelou com as baixas temperaturas do planeta vermelho”, contou à CHC on-line o físico Peter Smith, pesquisador chefe da missão Phoenix.

Por meio de imagens enviadas pela sonda, os cientistas também observaram cristais de gelo caindo de nuvens sobre o solo de Marte. As nuvens marcianas, aliás, são semelhantes às nuvens cirros que existem aqui na Terra e que parecem uma faixa branca no céu. “Já próximo ao fim da missão, vimos ainda neve e neblina em condições bem parecidas com as da Terra”, diz Peter Smith.

A imagem noturna obtida pela sonda Phoenix mostra sinais de geada sobre a superfície marciana.

Vida em Marte?

Segundo o físico, a descoberta da camada de gelo subterrânea no polo norte de Marte é uma evidência de que, no passado, o solo do planeta foi úmido. Além disso, acredita-se que o clima marciano era mais quente. Essas condições sugerem que pode ter existido vida no planeta no passado.

Os cientistas investigam a possibilidade de bactérias e outros seres microscópicos já terem habitado Marte. Encontrar indícios de que já houve água líquida por lá – como os achados pela sonda Phoenix – traz novas esperanças aos pesquisadores. Isso porque, assim como nós, todas as criaturas precisam de água para sobreviver, além de outros elementos.

Peter Smith explica que, além de água, os microrganismos necessitam de sais, minerais e, claro, alimento. “Nossas experiências químicas revelaram a presença de perclorato, substância que pode servir de comida para essas criaturas”, conta o físico. Porém, a probabilidade de que algum organismo viva por lá é bem pequena. Afinal, quem conseguiria sobreviver a períodos de mais de cinco milhões de anos sob frio e umidade intensos? No passado, porém, a história pode ter sido diferente. É por isso que os cientistas permanecem atentos a Marte!

Matéria publicada em 03.07.2009

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Julia Faria

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