Denúncia no sertão nordestino

Essa é a comunidade de Belo Monte, onde Euclides da Cunha acompanhou a Guerra de Canudos (foto: Flávio de Barros).

Em 1897, o dono do jornal O Estado de São Paulo convidou Euclides da Cunha para acompanhar a Guerra de Canudos, no interior da Bahia. Acusada de ser contra a República, uma comunidade carente, chamada Belo Monte, tornou-se alvo do Exército.

“Ao presenciar a guerra de Canudos, Euclides percebeu que aquela era uma página manchada na história brasileira, pois resultou na morte de muitas pessoas inocentes. Ele decidiu, então, contar tudo em um livro”, conta Anabelle Loivos.

Em 1902, chegava às livrarias Os sertões, obra em que, além de denunciar o massacre da população de Belo Monte, Euclides da Cunha descrevia a geografia da região e os hábitos do povo que morava lá.

Muito perfeccionista, porém, o escritor logo notou que havia erros nas primeiras edições do livro. Então, correu para a livraria com um canivete e uma caneta tinteiro nas mãos para consertar cada exemplar.

Missão na Amazônia

O grupo chefiado por Euclides da Cunha para estabelecer os limites de fronteira entre o Brasil e o Peru passou por Manaus enquanto subia o rio Alto Purus. Nesta foto, Euclides aparece ao centro, um pouco de lado, rodeado por seus companheiros de viagem (foto: Acervo da Casa Euclidiana de São José do Rio Pardo/SP)

Após lançar Os sertões, Euclides da Cunha tornou-se chefe de um grupo que viajaria até a fronteira entre o Brasil e o Peru, no Acre. Na viagem, ele enfrentou dificuldades: teve problemas com o clima úmido e contraiu uma doença chamada malária.

Mesmo assim ele se aproximou do povo que morava perto do rio Alto Purus, ouviu a história da população carente e viu o trabalho dos seringueiros: homens, explorados pelos patrões, que extraíam das árvores o látex para fabricar borracha.

Foi aí que Euclides decidiu começar a escrever seu segundo livro, que já tinha até nome: Um paraíso perdido. Na obra, ele queria denunciar os problemas existentes na Amazônia. Porém, o escritor não conseguiu terminar o trabalho, pois faleceu em 1909.

Pelos diferentes interesses de Euclides da Cunha, Anabelle Loivos diz que ele era um homem à frente de seu tempo. “Sensível e observador, ele percebeu problemas que estão presentes ainda hoje em nosso país, como a desigualdade social”, conta. Viu só porque esse é um grande personagem da história e da literatura do Brasil?

 

Matéria publicada em 13.08.2009

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Julia Faria

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