De olho nos animais de rua

Sempre fico triste quando vejo um bichinho abandonado nas ruas, sem carinho ou um lar. Além da vida solitária, esses animais correm risco de pegar doenças por não terem os cuidados que receberiam de um dono atencioso. Pensando nisso, o veterinário Oswaldo Santos Baquero, da Universidade de São Paulo, criou um programa de computador que pretende monitorar populações de cães e gatos, ajudando na busca por melhores condições de vida para eles.

Programa que monitora populações de cães e gatos pode ajudar a melhorar as condições de vida dos animais que vivem nas ruas. (foto: Karl Grawe / Flickr / <a href=https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.0/> CC BY-NC-ND 2.0 </a>)

Programa que monitora populações de cães e gatos pode ajudar a melhorar as condições de vida dos animais que vivem nas ruas. (foto: Karl Grawe / Flickr / CC BY-NC-ND 2.0 )

Inicialmente, a ideia é descobrir quantos bichinhos vivem nas ruas. “É quase impossível contar diretamente o número exato de animais abandonados”, avalia Oswaldo. “Mas podemos ter uma ideia desse total se considerarmos pesquisas que sugerem que o número de bichos que vive na rua em uma determinada região corresponde a aproximadamente cinco por cento do número total de animais que têm um lar naquela área.” 

Você deve estar se perguntando como os cientistas farão para descobrir o número de animais que têm uma casa. Como bater de porta em porta numa cidade grande seria bem trabalhoso, o programa de computador usará dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para selecionar uma amostra de residências que represente a cidade inteira.

Segundo Oswaldo, a ideia é que essa amostra de residências selecionadas seja uma versão em miniatura da cidade. Assim, ao determinarem o número de animais que vivem nas casas escolhidas, os pesquisadores poderão fazer cálculos matemáticos que estimem o número de animais de toda a cidade, sem que seja necessário visitar todas as casas que existem nela.

“As residências escolhidas para compor a amostra são visitadas por um representante da prefeitura, de um órgão de saúde ou de uma instituição de pesquisa, para questionar os moradores sobre a existência de animais em casa, a quantidade e o sexo deles, entre outras coisas”, descreve o veterinário. “É com base nessas informações que o programa de computador estima características populacionais, como o número de animais.”

Calculando a melhor solução

O programa também vai ajudar a calcular possíveis medidas para controlar a população de animais de rua. “O software poderá fazer uma previsão do que deve acontecer se, por exemplo, castrarmos 10% desses animais, ou se fizermos uma campanha para prevenir o abandono”, prevê o veterinário. “Ele vai ser fundamental para decidir qual a melhor solução para cada região e, assim, diminuir aos poucos a população de animais de rua”.

O programa de computador também ajudará a buscar medidas que controlem as populações de animais de rua. (foto: Nora Neko / Flickr / <a href=https://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/> CC BY-NC 2.0 </a>)

O programa de computador também ajudará a buscar medidas que controlem as populações de animais de rua. (foto: Nora Neko / Flickr / CC BY-NC 2.0 )

Além de beneficiar os animais, tais medidas podem diminuir a transmissão de doenças dos bichos para os humanos. “É muito importante monitorar e controlar, por exemplo, doenças graves como a Leishmaniose e a raiva, que  causam a morte de milhares de animais e também podem ser transmitidas ao homem”, explica Oswaldo.

Que tal também darmos uma forcinha? Ao invés de comprar um bicho em uma loja, vá a uma feira de animais e adote um filhotinho abandonado! E não esqueça: cães e gatos são seres vivos que sentem dor e têm emoções. Assim, ao evitarmos o abandono deles, não só contribuímos à diminuição de animais nas ruas, mas também evitamos que esses animais sofram.

Matéria publicada em 06.01.2015

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Com certeza adorei esse texto!

    Publicado em 22 de junho de 2019 Responder

  • Sofia Rodrigues Guimarães

    tbm fico triste

    Publicado em 14 de julho de 2020 Responder

  • Gabriel Rodrigues Guimarães

    eu tbm

    Publicado em 14 de julho de 2020 Responder

  • isaque

    verdade me da do de mais

    Publicado em 10 de dezembro de 2020 Responder

  • Matteo

    Olá, amei a matéria!

    Publicado em 29 de junho de 2022 Responder

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Isabelle Carvalho

Desde criança, sempre gostei de ler e escrever histórias. Hoje, estou muito feliz por poder contar muitas histórias sobre ciência na CHC!

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