Crianças pré-históricas

Nia e Aur são irmãos com uma rotina diferente. No lugar da escola, aprendem com os mais velhos. Entre as atividades do dia, caçam, capturam peixes e trabalham com couro. Parece estranho? É que Nina e Aur viveram há 10 mil anos. Eles fazem parte do romance infantojuvenil Meninos da Planície, sexto livro do paleontólogo Cástor Cartelle. O enredo mistura passado, presente e pesquisa para mostrar a vida na pré-história. Nesta entrevista, Cástor explica como conseguiu contar uma história que envolve o trabalho de paleontólogos e arqueólogos para conquistar jovens leitores.

Há 10 mil anos, a vida das crianças era bem diferente do dia a dia de meninos e meninas de hoje. (ilustração: Reprodução/ Walter Lara)

Há 10 mil anos, a vida das crianças era bem diferente do dia a dia de meninos e meninas de hoje. (ilustração: Reprodução/ Walter Lara)

CHC: Crianças como Nia e Aur não iam para a escola. Que tipo de conhecimento era necessário há 10 mil anos?
Cástor: No livro, um senhor cuidava deles e ensinava diversas coisas como curar o couro, produzir adornos, fazer fogo…  Os meninos iam à caça e as meninas pegar pequi. Essa era a escola deles, aprender com os mais velhos.

Como era a casa de uma criança de 10 mil anos atrás? E a família?
Parece que todos viviam em comunidade. Criavam abrigos na entrada de grutas ou paredões. Construíam um teto meio primitivo, mas dava para quebrar o galho. Eram espécies de pequenas aldeias.

A vida era mais curta naquela época…
Ah sim, existem inúmeros registros de cárie e falta de dentes…. Uma pessoa de 40 anos de idade era muito, muito velha para os padrões daquela época.

Quais eram os principais perigos?
Primeiro eram as doenças, os acidentes e problemas como infecções e feridas. Os animais representavam um perigo menor, eles sabiam como se defender. Aquelas pessoas só enfrentariam animais de que podiam se proteger com a tecnologia que tinham. Afinal, elas não eram burras.

<i>Meninos da planície</i>, de Cástor Cartelle. Ilustrações de Walter Lara. Editora Lê.

Meninos da planície, de Cástor Cartelle. Ilustrações de Walter Lara. Editora Lê.

Os personagens pré-históricos do livro conversam entre si. Como era a comunicação entre os humanos naquela época?
Provavelmente a linguagem humana surgiu 1,2 milhão de anos atrás. Eram sons limitados e menos diferenciados. Pelos esqueletos de 10 mil anos, podemos dizer tranquilamente que os humanos daquela época tinham uma linguagem próxima da nossa. Ela não tinha o refinamento que tem hoje, mas servia para comunicação.

Qual é a semelhança entre estudar o passado e contar histórias?
A arqueologia se dedica ao estudo do passado da humanidade e a paleontologia analisa outras espécies (animais, vegetais e minerais) de tempos remotos. Eu quis fazer uma mistura desses dois campos para crianças. Para isso, criei um arqueólogo e um amigo que o visita no laboratório. Esse homem está estudando demais, e de vez em quando ele dorme e tem sonhos com o passado.

O pesquisador estuda dados concretos. No livro, eu procurei uma narrativa ágil e imaginativa. O arqueólogo pensa até dormir, sonha e eu conto estes sonhos na história. Por exemplo, eu menciono alguns colares de dentes no livro, mas como os dentinhos eram furados? Ele sonha que um dos personagens usou uma ferramenta feita com cristal de rocha. Nos sonhos, os meninos da planície, Nina e Aur são irmãos. Como ele sabe sobre o parentesco? O pesquisador enviou para o laboratório e pelo DNA sabe que eram parentes.

Matéria publicada em 27.01.2016

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Iara Pinheiro

Fui uma criança curiosa e tagarela, por isso adoro ler e escrever. Surgiu daí minha vontade de ser jornalista: para descobrir um pouquinho todo o dia.

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