Um mergulho na história

Alguma vez você se perguntou como alguma coisa era no passado? De repente, você olha para um lápis e pensa: “como as pessoas escreviam antigamente?” Ou, então, vê um computador e fica refletindo sobre como se vivia quando não havia internet: todos escreviam à mão? E quando não existia correio eletrônico… Já pensou?

Acho que é vício de historiadora, mas, nos momentos mais insólitos, eu me pego viajando no passado. Outro dia foi no mar: treinando para fazer a primeira maratona aquática da minha vida, quase me perdi em pensamentos sobre a origem do hábito de nadar no mar. A vantagem de quem nada por prazer, longe da corrida por um lugar no pódio, é que dá tempo de pensar. Desde quando os seres humanos nadam? Como era a natação antigamente? Quando o esporte começou a ser uma atividade importante para as pessoas?

Se você ficou curioso também, vai gostar de saber que os primeiros nadadores da História foram os romanos! O grande conquistador de Roma, Julio Cesar (que viveu entre os anos 100 e 44 antes de Cristo), foi um nadador e tanto. Contam que, na batalha de Alexandria, entre romanos e egípcios, Cesar, encurralado pelos inimigos, conseguiu fugir, pular no mar e nadar cerca de 300 metros até um barco próximo. Um bom feito para um homem de seus cinquenta anos e fundamental para manter a liderança. Afinal, exigia-se que os guerreiros romanos fossem quase atletas: era preciso saber nadar, correr e até lutar com arco e flecha!

Mas os romanos também nadavam por prazer: havia banhos, uma espécie de ofurô daquela época, em todas as cidades, nos acampamentos militares, nas mansões. Cidades como Bath e Buxton, na atual Inglaterra, tinham piscinas, e era comum ver nadadores se divertindo no rio Tibre, na Itália. Reparem bem na palavra: “nadadores”, masculino, porque, na época, as mulheres não nadavam!


Ainda bem que isso mudou: não fosse assim, eu não teria completado, no último domingo, a Travessia dos Fortes, uma prova de natação que acontece todos os anos nas praias de Copacabana e Leme, no Rio de Janeiro. Nem sei minha colocação, devo ter sido uma das últimas da minha categoria. Em compensação, não faltou tempo para viajar em pensamentos!

Keila Grinberg
Departamento de História
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Matéria publicada em 29.04.2011

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Keila Grinberg

Quando criança, gostava de visitar a Biblioteca Nacional, colecionar jornais antigos e ouvir histórias da época de seus avós. Não deu outra: hoje é historiadora e escreve para a coluna Máquina do tempo.

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