Terra à vista!

Deu no jornal: no dia 30 de janeiro de 2011, 40 mil turistas desembarcaram no porto do Rio de Janeiro. Estavam chegando de navio na Cidade Maravilhosa.

Fiquei tão espantada com a notícia – quanta gente chegando na cidade em um dia só! – que demorei a lembrar que viajar de navio, que hoje parece ser estranho para muita gente, antes não era. Ao contrário: até bem pouco tempo atrás, mesmo depois da invenção do avião, as pessoas utilizavam basicamente o navio para fazer grandes deslocamentos.

A grande época das viagens de navio foi a das Grandes Navegações, entre os séculos 15 e 16, quando os portugueses se espalharam pelo mundo. Hoje em dia é até difícil acreditar que Pedro Álvares Cabral tenha atravessado o oceano Atlântico com toda a sua comitiva em naus, barcos tão pequenos, e ainda por cima movidos a vento!


Mas a verdade é que foi assim mesmo: a Nau Capitania, onde veio Cabral, tinha pouco mais de 20 metros de comprimento e chegou ao Brasil com 7 soldados armados com arcos e setas, 80 marinheiros, 70 soldados, 7 serviçais, 2 presos, 8 padres, 8 intérpretes e 8 funcionários, que deveriam ficar morando na Índia – caso a nau chegasse mesmo lá.

Já pensou como seria uma notícia de jornal que anunciasse a chegada de Cabral? Imagine só: “Um grupo de homens de pele clara, muito abatidos, chegou ao litoral. Parece que vêm de muito longe. Eles trazem objetos que parecem perigosos e difíceis de manusear, e mal chegam perto de nós, os nativos. O mais estranho de tudo é que não há mulheres a bordo.”

Pensando bem, 40 mil pessoas desembarcando no porto do Rio de Janeiro em pleno século 21 nem é tão espetacular assim. Nada que se compare ao susto que os habitantes do litoral da Bahia devem ter levado, ao tomar conhecimento da façanha de Cabral!

Keila Grinberg
Departamento de História
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Matéria publicada em 28.02.2011

COMENTÁRIOS

Envie um comentário

Keila Grinberg

Quando criança, gostava de visitar a Biblioteca Nacional, colecionar jornais antigos e ouvir histórias da época de seus avós. Não deu outra: hoje é historiadora e escreve para a coluna Máquina do tempo.

CONTEÚDO RELACIONADO

Parque Nacional de Itatiaia

A primeira área de preservação ambiental do Brasil

Pequenos notáveis

Conheça os peixes criptobênticos!

Open chat