Parede de tubarões

Férias de verão! Essa é a época de muita gente curtir o calor na praia, com a família e os amigos, e com um refrescante banho de mar. Mas, já pensou dar de cara com um tubarão durante um mergulho? E com centenas deles? Pois foi isso que aconteceu nas minhas férias!

Já imaginou mergulhar com centenas de tubarões? (foto: João Paulo Krajewski)

Já imaginou mergulhar com centenas de tubarões? (foto: João Paulo Krajewski)

Apesar de muita gente ter medo de tubarões, a maioria deles não oferece risco a nós, seres humanos. Ataques de tubarões são muito raros e, das mais de 400 espécies de tubarão, apenas três são responsáveis por ataques graves a humanos. Mesmo no caso dessas espécies, os ataques geralmente acontecem em situações particulares (mas isso é assunto para outra coluna).

Tubarões são fundamentais para o bom funcionamento dos oceanos, além de darem charme especial aos mares, por sua graça e formato únicos. Não é à toa que ver tubarões em seu ambiente natural é um sonho para a grande maioria dos mergulhadores, inclusive eu!

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Ver tubarões de pertinho na natureza é um sonho para admiradores do mundo marinho. (foto: Roberta Bonaldo)

Um dos locais tropicais mais famosos para mergulhar com tubarões é o atol de Fakarava, no Oceano Pacífico, onde passei minhas férias. Assim como outros atóis, Fakarava é uma ilha de formato ovalado construída por organismos marinhos (em Fakarava, principalmente por corais). A parte de dentro do atol é uma grande laguna, semelhante a uma piscina, e, na parte de fora, está o oceano aberto. A ilha tem dois canais que ligam a laguna com o oceano, e neles existe uma grande concentração de animais marinhos. Lá, os tubarões são um espetáculo à parte! Quando a água flui do oceano para dentro do canal, pela variação de maré, muitos tubarões se reúnem, e é possível ver centenas deles em menos de uma hora de mergulho. Afinal, só no canal sul do atol existem de 250 a 900 desses animais dependendo da época do ano!

O canal sul do atol de Fakarava abriga centenas de tubarões cinzentos (<i>Carcharhinus amblyrhynchos</i>). (foto: João Paulo Krajewski)

O canal sul do atol de Fakarava abriga centenas de tubarões cinzentos (Carcharhinus amblyrhynchos). (foto: João Paulo Krajewski)

Essa grande quantidade de tubarões deixou os cientistas intrigados. Afinal, já imaginou a quantidade de peixes menores necessária para alimentar tantos? Fazendo alguns cálculos, os cientistas perceberam que a quantidade de peixes que vive no canal não seria capaz de sustentá-los. Porém, o canal serve como local de reprodução para várias espécies de peixes e, em certas épocas do ano, milhares de peixes de diversos recifes de coral migram para o canal, onde passam alguns dias enquanto desovam. Predadores eficientes, os tubarões se aproveitam dessas grandes agregações, e fazem um verdadeiro banquete.

Tubarões cinzentos espreitam um cardume de vermelhos (<i>Lutjanus gibbus</i>) (acima) e atacam um aglomerado de peixes-cirurgiões (<i>Acanthurus triostegus</i>) na época da reprodução (abaixo). (foto: João Paulo Krajewski)

Tubarões cinzentos espreitam um cardume de vermelhos (Lutjanus gibbus) (acima) e atacam um aglomerado de peixes-cirurgiões (Acanthurus triostegus) na época da reprodução (abaixo). (foto: João Paulo Krajewski)

Longe de serem vilões, os tubarões são fundamentais para o bom funcionamento dos mares. Eles controlam as populações de peixes, ao se alimentar deles, ou modificam o comportamento de peixes menores, ao causar medo e afugentá-los de alguns locais. Encontrar um local com populações grandes e saudáveis de tubarões, como Fakarava, é praticamente um atestado do bom estado de saúde do recife e de seus habitantes. E uma alegria para qualquer admirador dos oceanos!

Matéria publicada em 23.01.2017

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Roberta Bonaldo

Amo o mar! Meu trabalho é procurar histórias curiosas desse fantástico universo.

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