O doce mais doce…

Bolos, pudins, doces, refrigerantes, balas. Não há ser humano que consiga resistir a esses deliciosos e coloridos alimentos. Mas, antes de cair de boca, atenção: fique sabendo que eles, apesar de gostosos e irresistíveis, podem provocar cáries, obesidade e diabetes, se consumidos em excesso. Isso acontece porque esses doces e bebidas prontas são ricos em açúcares simples, como sacarose, glicose e frutose.

Doces coloridos

Apesar de deliciosos, os doces podem fazer mal à saúde se consumidos em excesso (Foto: Clare & Dave / Flickr / CC BY-NC-ND 2.0)

O gosto doce que sentimos na boca é resultado da ligação dos açúcares simples com uma proteína presente nas células das papilas gustativas, encontrada principalmente na língua. Alguns açúcares se ajustam melhor à proteína e são sentidos como mais doces do que outros.

Assim, se provarmos separadamente quantidades iguais de sacarose (açúcar da cana), frutose (açúcar da uva) e lactose (açúcar do leite), sentiremos a frutose duas vezes mais doce do que a sacarose, e a lactose, um pouco mais doce do que o açúcar de cana.

Curiosamente, essa proteína que temos nas papilas gustativas é pouco seletiva e se liga a uma variedade de outros tipos de compostos além do açúcar, que também são percebidos como tendo gosto doce. Sabendo disso, e tentando saciar o desejo louco da humanidade por doces, os químicos começaram a sintetizar vários tipos de adoçantes artificiais, como sacarina, ciclamato, acessulfame K, aspartame, neotame e sucralose.

Essas substâncias possuem valor energético muito baixo e poder adoçante muito superior ao do açúcar – para você ter uma ideia, uma gota de adoçante artificial pode ter o mesmo poder adoçante de uma colher de sopa cheia de açúcar. Por isso, os adoçantes artificiais são usados na formulação de alimentos diet com quantidades bem reduzidas de açúcares (para uso por pessoas com diabetes, que não podem consumir açúcar) ou light (com baixo teor calórico, para uso em dietas de emagrecimento).

adoçantes

Atualmente, existem vários tipos de adoçantes artificiais disponíveis no mercado. Eles podem ser líquidos, em pó ou no formato de pílulas parecidas com remédios (Foto: Jens Hembach / Flickr / CC BY-NC-ND 2.0)

A sacarina foi o primeiro adoçante artificial vendido comercialmente. Ela foi sintetizada pela primeira vez em 1878, nos Estados Unidos, pelo químico Constantin Fahlberg, que trabalhava com a síntese de derivados de alcatrão. O pesquisador descobriu o gosto doce da sacarina por acaso, ao levar os dedos à boca após ter trabalhado com ela.

Pouco tempo após sua descoberta, a sacarina começou a ser produzida industrialmente, mas seu uso só se difundiu durante a Primeira Guerra Mundial, quando houve uma grande escassez de açúcar. Sua popularidade aumentou ainda mais durante os anos de 1960 e 1970, devido ao seu uso em dietas para emagrecimento.

Existem vários relatos confiáveis (e muitos boatos na internet) de que o uso excessivo de adoçantes artificiais é prejudicial à saúde. Por outro lado, estudos feitos com pessoas adultas indicam que, se forem usados com moderação, dentro da faixa de uso diário recomendado, esses produtos não fazem mal. Agora, atenção: crianças só devem usar adoçantes por recomendação médica.

Se esse não for o seu caso, prefira o açúcar, em quantidades moderadas, para ajudar a adoçar a vida – mas lembre-se que, se consumido em excesso, ele pode fazer você amargar na cadeira do dentista!

Matéria publicada em 18.05.2012

COMENTÁRIOS

  • Laura Zaratini Simone

    nos precisamos tomar cuidado com os doces

    Publicado em 8 de julho de 2020 Responder

  • Moisés Marques da Silva

    Isso é verdade porque estraga o dente

    Publicado em 17 de agosto de 2020 Responder

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Joab Trajano Silva

Desde criança, o autor da coluna No laboratório do Sr. Q pensava em ser biólogo. Mas, enquanto cursava a faculdade, descobriu que precisava de conhecimentos químicos para entender como os seres vivos funcionam. Juntou as duas coisas e foi ser bioquímico.

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