Lagoa das aves

Muitas espécies de aves são consideradas migratórias. Isso quer dizer que, todos os anos, elas viajam por até milhares de quilômetros em busca de alimento e boas condições climáticas. As migrações geralmente ocorrem no inverno, quando as aves que vivem em regiões muito frias, como próximo aos polos, buscam áreas mais quentinhas e com maior disponibilidade de alimento.

A lagoa do Peixe possui 35 quilômetros de extensão e é cercada por matas de restinga, dunas, praias e banhados. Ela é um importante berçário para várias espécies de invertebrados e pequenos peixes, que por sua vez servem de alimento a muitos outros animais. (foto: Arquivo PNLP / http://parnalagoadopeixe.blogspot.com.br/)

A lagoa do Peixe possui 35 quilômetros de extensão e é cercada por matas de restinga, dunas, praias e banhados. Ela é um importante berçário para várias espécies de invertebrados e pequenos peixes, que por sua vez servem de alimento a muitos outros animais. (foto: Arquivo PNLP / http://parnalagoadopeixe.blogspot.com.br/)

Por ser um país onde o clima é relativamente quente durante o ano todo, o Brasil é o destino de milhões de aves migratórias vindas da Patagônia e principalmente da América do Norte. Mas, mesmo em um país tropical como o nosso, não é fácil encontrar locais capazes de fornecer pouso seguro e alimento para bandos e mais bandos de aves famintas. O Parque Nacional da Lagoa do Peixe, localizado no litoral do Rio Grande do Sul, é um desses lugares especiais.

A lagoa do Peixe, que dá nome ao parque, é na verdade uma laguna, pois está ligada ao mar por um canal. Cercada por dunas e vegetação de restinga, ela é um verdadeiro paraíso para as aves migratórias. Isso porque suas águas rasas – com no máximo 60 centímetros de profundidade – são o berçário de camarões e pequenos peixes, além de conter abundância de algas, plâncton, moluscos e caranguejos: um verdadeiro banquete para as aves viajantes!

Bandos de maçaricos-de-papo-vermelho (<i>Calidris canutus</i>) podem ser vistos na lagoa do Peixe entre março e abril. Depois de se alimentarem durante um mês eles ganham energia suficiente para um voo direto – isso mesmo, sem pousar! – de cinco dias até os Estados Unidos. (foto: Don Faulkner / Flickr / CC BY-SA 2.0)

Bandos de maçaricos-de-papo-vermelho (Calidris canutus) podem ser vistos na lagoa do Peixe entre março e abril. Depois de se alimentarem durante um mês eles ganham energia suficiente para um voo direto – isso mesmo, sem pousar! – de cinco dias até os Estados Unidos. (foto: Don Faulkner / Flickr / CC BY-SA 2.0)

Toda essa fartura de alimento é essencial para aves como maçaricos, batuíras, trinta-réis, flamingos, marrecos, gansos e cisnes, que precisam acumular bastante energia antes de iniciarem suas longas jornadas. Ao todo, já foram registradas cerca de 275 espécies de aves no parque, das quais 35 são migratórias.

Os flamingos-chilenos (<i>Phoenicopterus chilensis</i>) são aves migratórias que vem da Patagônia para se alimentar na Lago do Peixe. Algas e pequenos crustáceos dos quais eles se alimentam são ricos em pigmentos chamados carotenoides, os responsáveis pela coloração rosada de suas penas. (Foto: Guilherme Porcher / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0)

Os flamingos-chilenos (Phoenicopterus chilensis) são aves migratórias que vem da Patagônia para se alimentar na Lago do Peixe. Algas e pequenos crustáceos dos quais eles se alimentam são ricos em pigmentos chamados carotenoides, os responsáveis pela coloração rosada de suas penas. (Foto: Guilherme Porcher / Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0)

O Parque Nacional da Lagoa do Peixe também abriga outros tipos de animais como  jacaré-do-papo-amarelo, tamanduá-mirim, lontra e um simpático roedor chamado de tuco-tuco-branco, que corre risco de extinção. Espécies marinhas também são avistadas com frequência nas praias do parque, como baleias-francas, tartarugas, toninhas, lobos e leões-marinhos.

O farol de Mostardas é uma das atrações do Parque Nacional da Lagoa do Peixe. Ele começou a funcionar no ano de 1894 e até hoje é uma importante referência para as embarcações que passam pelo litoral do Rio Grande do Sul. (foto: Miriam Souza / Wikimedia Commons / CC BY 2.0)

O farol de Mostardas é uma das atrações do Parque Nacional da Lagoa do Peixe. Ele começou a funcionar no ano de 1894 e até hoje é uma importante referência para as embarcações que passam pelo litoral do Rio Grande do Sul. (foto: Miriam Souza / Wikimedia Commons / CC BY 2.0)

Tem sido cada vez mais difícil para as aves migratórias concluírem suas viagens intercontinentais, principalmente devido ao crescimento das cidades nas áreas litorâneas e a diminuição das fontes de alimento ao longo do trajeto. Por isso é tão importante preservar lugares como a lagoa do Peixe, que poderia muito bem ser chamada de “lagoa das Aves”!

Matéria publicada em 02.09.2016

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Vinícius São Pedro

Sou biólogo e, desde pequeno, apaixonado pela natureza. Um dos meus passatempos favoritos é observar animais, plantas e paisagens naturais.

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