Gelatinas urticantes

Muita criança adora ir à praia no verão. Fazer castelos de areia, tomar sorvete, nadar… Que delícia! Mas, às vezes, a diversão pode ser interrompida por causa de um bicho de nome esquisito: água-viva. Já ouviu falar?

As águas-vivas são animais de corpo tão mole que lembram uma gelatina. Algumas poucas espécies podem ser encontradas em lagos e rios, mas a maioria vive no mar. Seu corpo parece um chapéu – ou seria um cogumelo? – com longos tentáculos, que em alguns casos podem atingir vários metros de comprimento.

As águas-vivas também são conhecidas como medusas. Na mitologia grega, Medusa era um monstro com o rosto de mulher e centenas de serpentes peçonhentas no lugar dos cabelos. Nestas duas imagens, são apresentadas algumas espécies de águas-vivas ilustradas pelo pesquisador alemão Ernst Haeckel em 1904 (Imagens: Wikipedia)

As águas-vivas também são conhecidas como medusas. Na mitologia grega, Medusa era um monstro com o rosto de mulher e centenas de serpentes peçonhentas no lugar dos cabelos. Nestas duas imagens, são apresentadas algumas espécies de águas-vivas ilustradas pelo pesquisador alemão Ernst Haeckel em 1904 (Imagens: Wikipedia)

O corpo e, principalmente, os tentáculos das águas-vivas possuem um tipo de célula chamada cnidócito (“célula de urtiga”, em grego) e, por isso, elas fazem parte de um grupo chamado Cnidaria. A função dos cnidócitos é liberar um veneno usado para capturar alimento e também para a defesa do animal. É aí que fica a parte dolorida da história, porque o veneno de algumas espécies é tóxico para os seres humanos, causando um tipo de queimadura quando tocamos seus tentáculos.

A água-viva-de-quatro-mãos é comum no litoral da Bahia, sudeste e sul do país. Apesar disso, ainda falta muito a ser estudado sobre esta espécie. Os cientistas não sabem até hoje, por exemplo, como é o ciclo de vida dela. (Foto: Alvaro Migotto /  cifonauta.cebimar.usp.br / CC BY-NC-SA 3.0)

A água-viva-de-quatro-mãos é comum no litoral da Bahia, sudeste e sul do país. Apesar disso, ainda falta muito a ser estudado sobre esta espécie. Os cientistas não sabem até hoje, por exemplo, como é o ciclo de vida dela. (Foto: Alvaro Migotto / cifonauta.cebimar.usp.br / CC BY-NC-SA 3.0)

No Brasil, são conhecidas mais de 150 espécies de águas-vivas, mas a maioria dos acidentes é causada pela água-viva-de-quatro-mãos, Chiropsalmus quadrumanus. Seu corpo lembra um chapéu com quatro abas (as “mãos”), cada qual com seis ou sete tentáculos. Vem daí o nome específico quadrumanus, “quatro mãos” em latim. Já o nome do gênero, Chiropsalmus, vem da língua grega e pode ser traduzido como “mão que se contorce”, por causa da forma como este animal se movimenta na água.

Outra espécie de água-viva, a Tamoya haplonema, pode causar acidentes sérios, por conta de seu veneno mais tóxico. Porém, para nossa sorte, ela raramente é vista em águas rasas, onde costumamos nadar.

O nome Tamoya é uma homenagem aos índios tamoios, que originalmente viviam no sudeste no Brasil. Já haplonema significa “um fio” em grego, porque cada uma das quatro abas laterais do corpo desta espécie possui apenas um tentáculo urticante.

<i>Tamoya haplonema</i> pode ser considerada uma espécie grande entre as águas-vivas brasileiras. Sem contar os quatro grossos tentáculos, que possuem belos tons de amarelo, seu corpo atinge 17 centímetros de comprimento. (Foto: Alvaro Migotto / cifonauta.cebimar.usp.br / CC BY-NC-SA 3.0)

Tamoya haplonema pode ser considerada uma espécie grande entre as águas-vivas brasileiras. Sem contar os quatro grossos tentáculos, que possuem belos tons de amarelo, seu corpo atinge 17 centímetros de comprimento. (Foto: Alvaro Migotto / cifonauta.cebimar.usp.br / CC BY-NC-SA 3.0)

Há ainda uma espécie de Cnidaria que não é uma água-viva, mas costuma causar acidentes em nosso litoral: a caravela-portuguesa. Seu corpo é uma espécie de bexiga cheia de ar que fica boiando na superfície do mar com um monte de tentáculos dentro da água. Essa semelhança com um barquinho é o motivo de a chamarmos de caravela. Seu nome científico, Physalia physalis, tem origem em uma palavra grega que significa “bexiga”.

A caravela-portuguesa é uma das espécies mais estranhas de Cnidaria que existem, por causa do seu formato. Além disso, há outra curiosidade: cada caravela não é apenas um único animal, mas uma colônia de até mil pequenos indivíduos chamados zooides, os quais são incapazes de sobreviver sozinhos. (Foto: Casey Dunn; CC BY-NC-SA 2.0)

A caravela-portuguesa é uma das espécies mais estranhas de Cnidaria que existem, por causa do seu formato. Além disso, há outra curiosidade: cada caravela não é apenas um único animal, mas uma colônia de até mil pequenos indivíduos chamados zooides, os quais são incapazes de sobreviver sozinhos. (Foto: Casey Dunn; CC BY-NC-SA 2.0)

Agora, o que fazer se alguém se queimar ao tocar uma água-viva ou uma caravela? A primeira atitude é lavar bem o local atingido com água do próprio mar. Não use água doce porque ela ajuda a liberar mais toxinas dos cnidócitos que se grudaram à pele. Depois, um pouco de vinagre também ajuda.

Você pode acessar outras dicas sobre como lidar com acidentes com águas-vivas e outros animais marinhos clicando aqui.

Por fim, é sempre bom lembrar que não é a água-viva que nos ataca. Somos nós que, ao nadar no mar, esbarramos nelas, que estão tranquilas levando a vida no seu habitat natural.

Matéria publicada em 09.01.2015

COMENTÁRIOS

  • Lara

    Oi CHC achei muito interessante esse material sobre as águas – vivas gostei muito do título.

    Publicado em 3 de setembro de 2021 Responder

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Henrique Caldeira Costa

Curioso desde criança, Henrique tem um interesse especial em pesquisar a história por trás dos nomes científicos dos animais, que partilha com a gente na coluna O nome dos bichos

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