Ano bissexto, ano da confusão

Outro dia alguém perguntou por que o ano bissexto se chama assim, se só acontece de quatro em quatro anos. Fiquei pasma de nunca ter pensado nisso! Por que ano bissexto, e não ano quarto, ano quadrado ou coisa parecida? Fui investigar.

A primeira coisa a considerar é que o ano bissexto existe para corrigir a diferença entre o ano solar e o ano do nosso calendário: a Terra leva 365 dias e 6 horas para girar em torno do sol, mas nosso calendário só tem 365 dias. Ao longo de vários anos, essas horas fazem diferença!

Na Antiguidade, imagine você, já aconteceu de o calendário “oficial” e o ano solar contarem mais de três meses de diferença – o que, é claro, gera uma confusão danada na hora de contar as estações do ano e as épocas de plantio e colheita, por exemplo. Por isso, o imperador romano Julio César decidiu dar um basta e arrumar, com a ajuda de um astrônomo, um calendário que não se distanciasse tanto dos anos solares – assim surgiu o primeiro calendário com ano bissexto.

Estátua de Julio César

Após as modificações feitas por Julio César no ano 46 antes da nossa era, durante um bom tempo, ninguém conseguiu contabilizar os anos bissextos direito. Só no ano 8 da nossa era é que as contas foram acertadas (Foto: Wikimedia Commons)

César fez tantas modificações no calendário que ele até passou a se chamar juliano, em homenagem ao próprio imperador. O ano passaria a ter início no dia 1 de janeiro – antes, começava em março – e, para corrigir os desvios passados, decretou-se que o ano 46 antes da nossa era teria 445 dias. As mudanças foram tantas que este ficou conhecido como o “Ano da Confusão”.

Julio César também estabeleceu que, a partir do ano seguinte, haveria um ano bissexto a cada 4 anos. Em vez de criar um novo dia, a ordem era duplicar o dia 24 de fevereiro, o que nos ajuda a explicar a confusão do nome “bissexto”.

Naquela época, os nomes dos dias eram baseados no ciclo lunar. Cada mês tinha três dias fixos: Calendas (lua nova), Nonas (quarto crescente) e Idus (lua cheia). Os outros dias eram chamados em relação a estes. Assim, 24 de fevereiro era chamado de “antediem sextum Calendas Martii”, ou “sexto dia antes da Calendas de Março”. Com a duplicação deste dia nos anos bissextos, ele passou a ser chamado de “antediem bis-sextum Calendas Martii”!

Calendário 2012, mês de fevereiro

O dia extra foi incluído em fevereiro porque, na época de César, este era o último mês do ano, considerado ao mesmo tempo o mês da purificação e do azar (Foto: Catarina Chagas)

Parecia que o problema do calendário tinha sido definitivamente resolvido, mas ainda não foi desta vez. Tempos depois, novos cálculos mostraram que o ano solar não tem 365 dias e 6 horas, e sim 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos. Com isso, simplesmente a soma de um dia a cada quatro anos não resolvia o problema, porque, depois de muitos anos, estes 11 minutos e 14 segundos também iam fazer diferença.

Quem fez a mudança desta vez foi o papa Gregório XIII, em 1582 – e o calendário passou a ser chamado de gregoriano, como é até hoje. Na época, a diferença entre o ano do calendário e o ano solar já era de mais de 10 dias. Para acertar a diferença, Gregório estabeleceu que, naquele ano, depois do dia 4 de outubro viria o dia 15. Pobre de quem fazia aniversário neste intervalo!

Papa Gregório XIII

O papa Gregório XIII, ao reformular o calendário, incluiu o dia 29 de fevereiro nos anos bissextos, acabando com a duplicação do dia 24 de fevereiro, proposta por Júlio César (Imagem: Wikimedia Commons)

Para que a diferença entre os dias do ano não voltasse a aparecer, Gregório fez as contas e criou uma fórmula que praticamente resolveu a questão: os anos bissextos agora são os múltiplos de quatro, à exceção dos múltiplos de 100. A exceção à esta exceção é o ano múltiplo de 400, que também é bissexto. Não vai me dizer que achou confuso!

Matéria publicada em 24.02.2012

COMENTÁRIOS

  • LARISSA R. CARDOSO

    GOSTEI MUITO DE APRENDER SOBRE O ANO BISSEXTO, MAS ACHEI UM POUCO CONFUSO!!.

    Publicado em 3 de junho de 2020 Responder

    • Maria Julia

      eu tbm!!!!

      Publicado em 16 de junho de 2021 Responder

  • livia

    gostei da atividade

    Publicado em 4 de junho de 2020 Responder

  • Evelyn Ramos dos Santos

    também achei um pouco confuso mais gostei muito de aprender sobre o ano bissexto.

    Publicado em 10 de junho de 2020 Responder

  • Marcio Couto

    Tese de doutorado…… não é com uma simples leitura que vou sair por aí achando que sei alguma coisa….

    Publicado em 28 de junho de 2020 Responder

  • ariane

    que fofo

    Publicado em 29 de junho de 2020 Responder

  • Emanuelle Nista

    muito confuso meu Deus!!!!!!!

    Publicado em 2 de julho de 2020 Responder

  • Ana Caroline Ferreira Rodrigues Silva

    nossa o ano bissexto é muito confuso !!!!!

    Publicado em 4 de julho de 2020 Responder

  • Vitor

    Só foi eu quem não entendeu nada?

    Publicado em 20 de julho de 2020 Responder

  • Kathlyn Letícia

    Bem confuso mas enteressante

    Publicado em 13 de agosto de 2020 Responder

  • Manuela

    adorei saber , no começo achava que “sexto” vinha das 6 horas de diferença

    Publicado em 15 de junho de 2021 Responder

  • Teresa P. P.

    MUUUUUUUITO BOM TAVA TODA COM FUSA COM UMA TAREFA DA ESCOLA E ESSE TEXTO ME ESCLARECEU TUDO !!
    MUITO OBRIGADA CHC, POR PUBLICAR ESSE TEXTO NO SITE”!!!!!!!!!
    CESAR TAVA MUITO LOCO NESSE DIA! HIHIHI

    Publicado em 9 de agosto de 2021 Responder

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Keila Grinberg

Quando criança, gostava de visitar a Biblioteca Nacional, colecionar jornais antigos e ouvir histórias da época de seus avós. Não deu outra: hoje é historiadora e escreve para a coluna Máquina do tempo.

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