A viagem das múmias

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, tem em seu acervo mais de 700 peças do Antigo Egito (Foto: Wikimedia Commons)

Quem já foi ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, sabe que lá estão centenas de peças arqueológicas do Egito Antigo, incluindo sarcófagos, amuletos e, claro, as famosas múmias. Ao todo, são mais 700 peças! Mas você já parou para pensar em como elas saíram da África, viajaram o oceano e vieram parar aqui no Brasil? Para responder a esta pergunta, nem é preciso que a nossa máquina volte tanto no tempo. Basta irmos para o século 19, quando D. Pedro II era imperador do Brasil.

D. Pedro II se interessava tanto pelas civilizações antigas que até chegou a estudar hebraico e árabe (Foto: Wikimedia Commons)

Como tantos outros naquela época, D. Pedro II era fascinado pelo Antigo Egito. E, provavelmente, a paixão veio de casa: seu pai, D. Pedro I, comprou, em 1826, uma coleção de peças escavadas no Templo de Karnak – que ficava num lugar hoje conhecido como Luxor. À época não se sabia, mas provavelmente ele estava iniciando uma das mais antigas coleções egípcias da América Latina.

A coleção seria continuada pelo filho, que viajou duas vezes ao Egito, a primeira em 1871, a segunda em 1876. Em suas viagens, ele comprou e ganhou várias peças de presente. A sua favorita era a múmia de Sha-Amon-em-su, a chamada “Cantora de Amon”. Por ser sacerdotisa e cantora no templo de Amon, ela foi mumificada quando morreu.

Encontrada em Tebas, a múmia foi dada de presente a Pedro II em 1876 pelo governante egípcio Ismael. Um detalhe curioso é que a múmia foi dada ao imperador do Brasil tal qual havia sido encontrada, ou seja, lacrada em seu esquife – uma espécie de caixão. E Pedro II não cedeu à curiosidade de abri-lo!

D. Pedro II em sua primeira viagem ao Egito, em 1871 (Foto: Wikimedia Commons)

Na época, a curiosidade sobre as múmias era tamanha que muita gente abria os esquifes para ver como a mumificação era feita e descobrir mais sobre a cultura e a religião dos egípcios. Pedro II, ao contrário, deixou-a intacta.

Sarcófago de Sha-amun-em-su, um dos poucos do mundo que ainda não foram abertos. Mesmo assim, é possível ver os pés da múmia (Fotos: José Caldas)

Ele gostou tanto do presente que o levou para seu gabinete, onde ficou até 1889, quando foi proclamada a República e o imperador deixou o país. A múmia foi incorporada à coleção do Museu Nacional, onde pode ser visitada até hoje.

Matéria publicada em 29.06.2012

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Keila Grinberg

Quando criança, gostava de visitar a Biblioteca Nacional, colecionar jornais antigos e ouvir histórias da época de seus avós. Não deu outra: hoje é historiadora e escreve para a coluna Máquina do tempo.

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