Charles Darwin, meu tataravô

Randal Keynes, o tataraneto de Charles Darwin (foto: Mara Figueira).

Você sabe qual o nome do seu tataravô? Com o que ele trabalhava e o que gostava de fazer? Randal Keynes não só sabe, como tem muitos motivos para se orgulhar desse parente distante: ele é tataraneto de Charles Darwin, o naturalista britânico que, em 1858, em parceria com Alfred Wallace, propôs a teoria da seleção natural para explicar como os seres vivos evoluem, ou seja, como se modificam ao longo do tempo, dando origem a novas espécies.

Em visita ao Rio de Janeiro, onde vai acompanhar, a partir desta quarta-feira, dia 26, a expedição Caminhos de Darwin – que irá percorrer o mesmo trajeto seguido por Charles Darwin em 1832 no estado –, Randal Keynes contou, a pedido da Ciência Hoje das Crianças, quando foi que ele percebeu que tinha um parente tão famoso quanto Darwin e o que significou, em sua vida, ter um tataravô tão conhecido.

“Quando eu era criança, aos poucos fui percebendo a figura de Darwin na minha família. Mas só me dei conta mesmo quando outros meninos na escola começaram a fazer piadas sobre Darwin e a dizer que eu era parente de macacos”, conta Randal Keynes. “Eu falei com meu irmão sobre as piadas dos meus amigos e ele me disse que isso havia sido uma idéia publicada em um livro por nosso tataravô e que tinha sido rejeitada, mas que também havia verdade contida nela.”

Em 1871, no livro A descendência do homem, Charles Darwin afirmou que os seres humanos evoluíram como os outros animais, tendo ancestrais que podiam ser investigados até a pré-história. Algo oposto ao que pregava a Igreja, que garantia que o ser humano havia sido criado à imagem e semelhança a Deus. Foi o suficiente para que, na imprensa da época, surgissem diversas caricaturas de Darwin, que o mostravam como sendo um macaco e revelavam a resistência que suas idéias enfrentavam na sociedade. Atualmente sabemos, porém, que os seres humanos não descendem dos macacos, mas, sim, de um ancestral em comum que temos com certos primatas.

Defensor da natureza que inspirou Darwin

Várias caricaturas, feitas no século 19, mostravam Darwin como macaco, na tentativa de ridicularizar suas idéias(crédito: Wikipedia).

O tempo das piadas na escola relacionadas ao tataravô ficou para trás. Hoje, aos 60 anos, Randal Keynes conta que, durante grande parte da sua vida, não sentiu necessidade ou interesse em fazer algo ligado às idéias do membro mais famoso de sua família. Isso, porém, mudou nos últimos anos, quando ele, além de escritor, tornou-se um defensor da natureza. “Em anos mais recentes, com a vida natural ao nosso redor estando tão mais ameaçada do que anteriormente, tendo a noção da possibilidade real de perder a riqueza do mundo natural, que significou tanto para Darwin, eu senti que deveria fazer o que pudesse para seguir seus passos, mostrando a riqueza do mundo natural, no sentido de garantir a sua diversidade”, conta.

Prestes a seguir o caminho que seu tataravô percorreu no Brasil há 176 anos, Randal Keynes lembra que o Rio de Janeiro foi a primeira parada em terra que Darwin fez com o Beagle, o navio que o levou para uma volta ao mundo. “Não há dúvida de que a experiência que ele teve aqui foi especialmente importante: a floresta tropical do Brasil abriu seus olhos para aspectos da natureza que ele ainda não havia percebido e permaneceu com ele para o resto da sua vida”, conta.

Animado com a sua participação na expedição Caminhos de Darwin , Randal Keynes lembra que iniciativas semelhantes já são desenvolvidas em Galápagos – ilhas situadas no oceano Pacífico, um dos lugares visitados por Darwin em sua viagem ao redor do mundo –, na Cidade do Cabo, na África – a última parada do Beagle antes do retorno à Inglaterra – e em Kent, cidade próxima a Londres, na Inglaterra, onde Darwin viveu depois da viagem. “Acho maravilhosas essas experiências que podem ser aproveitadas por crianças e por pessoas de todas as idades”, diz.

Matéria publicada em 24.11.2008

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Adorei conhecer o tataraneto de Charles Darwin!

    Publicado em 7 de abril de 2019 Responder

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Mara Figueira

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