Bagagem cultural

Roquette-Pinto cercado pelas crianças Kozárinis (Foto: ROQUETTE-PINTO, E. Rondonia: anthropologia – ethnographia. 7. ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; Academia Brasileira de Letras, 2005)

Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1912. Após quatro meses de viagem, o antropólogo Edgard Roquette-Pinto voltava para casa com uma bagagem que pesava cerca de 1.500 quilos, entre anotações, desenhos, objetos coletados em aldeias indígenas, filmes e gravações do canto de índios. Ele havia passeado pela região da Serra do Norte, entre os atuais estados de Mato Grosso e Rondônia, acompanhando a Comissão Rondon – uma expedição organizada para instalar linhas de telégrafo que ligassem vários estados do Brasil.

Saiba mais sobre a Comissão Rondon no texto “Cientistas viajantes”, da CHC 218.

Pelo caminho – 1.300 quilômetros, entre os rios Juruá e Madeira –, fez várias observações sobre os índios que viviam na região, especialmente os Parecis e Nambiquaras. Descreveu-os como “a mais interessante população selvagem do mundo”. Muito pouco se sabia sobre eles antes de seu estudo, e tanto se descobriu!

O primeiro contato de Roquette-Pinto com os Nambiquaras, por exemplo, aconteceu na noite do dia 20 de setembro de 1912 e foi emocionante. Nas palavras dele: “Avistamos, longe, uma fogueira. Eram eles. Apressamos o passo dos nossos animais; e, a grande distância, começamos a gritar, para preveni-los de nossa presença: Oh! Nen-nen! Nen-nen! (amigo! amigo!) Vieram logo, correndo e gritando”.

Confira a lenda da mandioca, uma das histórias indígenas registradas por Roquette-Pinto.

O antropólogo fez observações de atividades cotidianas, como coletar mel produzido pelas abelhas, preparar a mandioca, contar histórias ou até assoar o nariz – coisa que os Parecis faziam usando os dedos médio e indicador, e não o indicador e o polegar, como estamos acostumados. Ele também descreveu adereços usados nas aldeias, como capacetes feitos com couro de onça e colares feitos com sementes, conchas, dentes de macacos e até chifres de besouros.

O vídeo abaixo mostra alguns dos materiais coletados pelo antropólogo, que hoje estão no Museu Nacional, no Rio de Janeiro:

Para guardar cada detalhe, além de inúmeras anotações, Roquette-Pinto fez gravações, em áudio e vídeo. Ele – assim como outros intelectuais de sua época – achava muito importante coletar o máximo possível de informações sobre os índios, pois, num futuro próximo, as aldeias poderiam desaparecer ou ter sua cultura descaracterizada pelo contato com o homem branco.

Que tal pegar carona com Roquette-Pinto e embarcar nessa viagem também? Confira a galeria abaixo:

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(Fotos: ROQUETTE-PINTO, E. Rondonia: anthropologia – ethnographia. 7. ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; Academia Brasileira de Letras, 2005)

Agradecemos à historiadora Dominichi Miranda de Sá, da Casa de Oswaldo Cruz, pela colaboração na elaboração deste texto.

Matéria publicada em 26.11.2012

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Deu para salvar do incêndio a parte de Roquette Pinto?

    Publicado em 20 de outubro de 2018 Responder

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Catarina Chagas

Desde criança gosto de ler, inventar histórias e descobrir novidades. Cresci e encontrei um trabalho em que posso fazer tudo isso.

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