Vou ser cientista!

Tudo começou em um clube de ciências da escola.

Quem acompanha a CHC e leu o artigo Loucos por Ciência, na edição 296, pôde notar que um clube de ciências nasce do interesse (da paixão mesmo!) de algumas pessoas por atividades científicas. Logo, é um espaço onde todos podem falar, conversar, trocar ideias e debater sobre tudo o que diz respeito à ciência. Os clubes de ciência são muito importantes, porque podem aproximar as pessoas do contato com a ciência, do entusiasmo que está por trás de experimentar ou testar uma ideia.

A partir desta edição, vou contar um pouco mais sobre os clubes de ciência espalhados pelo Brasil, começando com a história da professora Letícia de Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), que teve sua vida transformada ao entrar em um clube de ciências quando era muito jovem.

Aos 13 anos de idade, Letícia foi estudar na Escola Estadual Arlindo Gomes, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Ela gostava da escola, mas tudo ficou mais interessante com a chegada do professor de química Ivo Leite Filho. Juntamente com ele, Letícia e outros estudantes fundaram o Clube de Ciências e Cultura Paiaguás. A partir daí vieram participações em feiras científicas e numa delas ocorreu o episódio que marcaria para sempre a sua vida. Após a sua apresentação oral, um renomado cientista lhe disse: “você tem um grande futuro na ciência”. Pronto! Estava tomada a decisão de ser cientista.

 Letícia (à esquerda) na III Feira Internacional de Ciência e Tecnologia Juvenil (1988, Blumenau-SC)

Letícia hoje é professora titular da UFF, com a responsabilidade de orientar diversos alunos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Ela não tem a menor dúvida de que o clube de ciências foi um divisor de águas em sua vida. Em suas palavras: “a paixão pelo conhecimento, o espírito crítico, a importância de boas perguntas, a interpretação cuidadosa dos resultados, são alguns dos aprendizados que iniciei no clube de ciências e que continuam até hoje”.

Letícia com o prof. Ivo Leite Filho no dia da defesa para professora titular da Universidade Federal Fluminense (Julho, 2018).
Letícia com seu grupo de pesquisa da Universidade Federal Fluminense (Julho, 2018).

Ah! A escola ainda existe e possui um laboratório que foi construído na época do clube de ciências. Letícia esteve lá recentemente e se emocionou bastante. Bacana, né?

E aí? Gostou da história da professora Letícia? Na sua escola tem um clube de ciências? Nós queremos saber. Escreva pra gente. Vai ser um prazer contar aqui as experiências de vocês.


Alberto-Lazzaroni-novo

Alberto Lazzaroni
Mestre em Ciências e Biotecnologia pela Universidade Federal Fluminense
Professor do CIEP 449 Intercultural Brasil-França

Nasci na Baixada Fluminense num tempo em que existiam muitas brincadeiras de rua. Tive uma infância muito feliz e sonhava em ser jogador de futebol. A paixão pelos bichos, no entanto, venceu a da bola. Hoje sou professor, apaixonado pela ciência e com um sonho: que haja um clube de ciências em cada escola do nosso país.

Matéria publicada em 22.10.2019

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