Uma descoberta de peso

Atenção, atenção! Nova espécie de baleia à vista!

Todos os anos os taxonomistas – pesquisadores que se dedicam a classificar os seres vivos – anunciam a descoberta de milhares de espécies até então desconhecidas pela ciência. Estamos falando desde minúsculas bactérias até morcegos ou mesmo árvores, geralmente vivendo em locais ainda pouco explorados. Mas, quem diria que em pleno ano de 2019 seria anunciada a descoberta de uma nova espécie de baleia?

As baleias são cetáceos, um grupo de mamíferos aquáticos com aproximadamente 90 espécies já catalogadas, vivendo em diferentes regiões do planeta. Algumas das baleias menos conhecidas são as baleias-bicudas, com, aproximadamente, 20 espécies. Elas são difíceis de se ver, porque costumam nadar a mais de 500 metros de profundidade. Curiosamente, as fêmeas de baleias-bicudas geralmente são banguelas e os machos têm só um ou dois pares de dentes, enquanto as demais baleias com dentes têm dezenas. Para se alimentar, as baleias-bicudas sugam suas presas, geralmente lulas, e as engolem de uma só vez.

As maiores espécies de baleias-bicudas são chamadas pelos cientistas de Berardius arnuxii e Berardius bairdii. A primeira vive em águas frias do hemisfério sul – incluindo o litoral sudeste e sul do Brasil – e a segunda vive nas águas frias do hemisfério norte. No Japão, exemplares de Berardius bairdii são caçados legalmente todos os anos para consumo de sua carne. E os pescadores sempre diziam que havia dois tipos diferente desta baleia, um acinzentado, maior e mais comum, e outro tipo preto, menor e raro.

As baleias da recém-batizada espécie Berardius minimus medem até 7 metros de comprimento, enquanto as da espécie Berardius bairdii, com a qual eram confundidas pelos cientistas, são maiores, medindo entre 9 e 11 metros.
Desenhos: Yoshimi Watanabe / Scientific Reports / CC BY 4.0.
Registro raro: uma baleia-bicuda da espécie Berardius arnuxii fotografada na Antártida enquanto subia à superfície.
Foto: Ted Cheeseman / Wikimedia Commons

Intrigados, cientistas resolveram estudar essas baleias e confirmaram o que os pescadores já diziam: o que vínhamos classificando como uma espécie, a Berardius bairdii, na verdade são duas espécies diferentes! A “nova” espécie ganhou o nome científico Berardius minimus, por causa do tamanho menor. Além do tamanho e dar cor, que já eram notados pelos pescadores, os cientistas viram que a B. minimus também tem um focinho mais curto que as demais baleias-bicudas.

Que descoberta e tanto, não é? Isso sim, é história de pescador!


henrique-caldeira

Henrique Caldeira Costa,
Departamento de Biologia Animal
Universidade Federal de Viçosa

Sou biólogo e muito curioso. Desde criança tenho interesse especial em pesquisar os seres vivos, especialmente o mundo animal. Vamos fazer descobertas incríveis aqui!

Matéria publicada em 18.09.2019

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