Tamanho não é documento nem para os crocodilos!

Como pode ser tão pequeno e, ao mesmo tempo, uma grande descoberta?

Adamantinasuchus navae
Ilustração Nobu Tamura/Wikipédia

FICHA TÉCNICA

Nome: Adamantinasuchus navae
Origem: Marília, São Paulo
Tamanho: 50 centímetros de comprimento
Peso: cerca de 10 quilos
Época em que viveu: há 90 milhões de anos (Período Cretáceo)

 

Comparado com seus parentes atuais, ele é pequeno. Mas, para os cientistas que estudam animais pré-históricos, o Adamantinasuchus navae é uma grande descoberta. Esse crocodilo terrestre é muito diferente das espécies pré-históricas de crocodilos descobertas até hoje.

Adamantinasuchus navae era o que poderíamos chamar de um minicrocodilo. Com grandes olhos, localizados na lateral de sua cabeça, esse réptil pré-histórico era capaz de enxergar melhor as presas em suas caçadas noturnas. O pequeno crocodilo também tinha os ossos das pernas bem compridos, o que lhe permitia percorrer grandes distâncias à procura de alimentos. Diferentemente dos crocodilos atuais, que vivem em ambientes alagados, ele vivia em terra firme.

Dentes diferentes

A característica mais interessante do Adamantinasuchus navae está relacionada aos seus dentes: alguns deles eram voltados para frente e o ajudavam a capturar pequenos animais, como insetos. Já os de trás eram parecidos com os molares dos animais mamíferos, que são os que terminam a mastigação, triturando os alimentos.

Por ter essa dentição diferenciada dos outros crocodilos, os pesquisadores concluíram que o Adamantinasuchus navae era onívoro, ou seja, comia de tudo! Incluindo carne e vegetais, enquanto seus outros parentes eram exclusivamente carnívoros.

Os ossos alongados do minicrocodilo pré-histórico o ajudavam a percorrer grandes distâncias. Repare nos seus dentes: eram boas ferramentas na hora de capturar alimentos.

Grande descoberta

Os fósseis do Adamantinasuchus navae foram descobertos em 1998, em rochas localizadas na cidade de Marília, em São Paulo, região conhecida como Formação Adamantina. Daí vem o nome Adamantinasuchus, que batiza a espécie. O termo navae, por sua vez, é uma homenagem ao descobridor desse réptil pré-histórico: o paleontólogo William Nava, diretor do Museu de Paleontologia de Marília.

O lugar onde foi feita a descoberta do Adamantinasuchus navae foi transformado em uma represa e outros fósseis podem agora estar debaixo da água. A boa notícia é que cinco exemplares desse minicrocodilo foram encontrados no local antes da inundação.

Com os fósseis e o trabalho de cientistas, uma réplica em tamanho natural do crocodilo foi confeccionada. A obra é do paleo artista Deverson da Silva, do Museu de Monte Alto, em São Paulo, um especialista em reproduzir as descobertas de animais e ambientes do passado.

A reprodução do Adamantinasuchus navae demorou nove meses para ficar pronta.
Imagem Deverson da Silva

 

 


Cathia Abreu
Ciência Hoje das Crianças.

Revisão científica:
Ismar de Souza Carvalho
Departamento de Paleontologia
Universidade Federal Fluminense

A Terra há 90 milhões de anos

Adamantinasuchus navae viveu no período Cretáceo, há 90 milhões de anos. Foi a época em que ocorria a separação dos continentes e o surgimento do oceano Atlântico. Antes disso, uma parte da Terra formava um imenso bloco chamado Gondwana, constituído pela união da América do Sul, da África, da Índia, da Antártica e da Austrália. Com a separação, formaram-se grandes áreas de rios e lagos que surgiam e desapareciam, deixando sedimentos – material como areia e argila – que formaram aglomerados de rochas. Foi justamente em um aglomerado de rochas desse tipo – a Formação Adamantina – que os fósseis do O Adamantinasuchus navae foram encontrados.

Matéria publicada em 08.11.2018

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