Quero saber…

… se a fumaça de queimadas e outros incêndios vai para o espaço sideral?

Não vai. A fumaça se mistura com a atmosfera (camada de gases que envolve a Terra) e passa a fazer parte dela. O que chamamos poluição é exatamente o excesso de gases produzidos por incêndios ou pelo funcionamento de motores, como os de automóveis. Se esses gases saíssem da Terra, não teríamos poluição do ar, mas infelizmente não é assim que acontece.

Quando vemos a fumaça de um incêndio subir no céu, é efeito do calor, pois os gases quentes tendem a se expandir e subir. Acontece que eles não sobem indefinidamente até chegar ao espaço sideral. Assim que esfriam eles se misturam com a atmosfera e ficam na mesma temperatura dela.

Um dos problemas dos gases poluentes na atmosfera é o aumento da temperatura da Terra, o chamado aquecimento global. Mas essa é uma outra história…

 

Roberto D. Dias da Costa,

Departamento de Astronomia,
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférica,
Universidade de São Paulo.

… se os gambás comem escorpiões?

Embora não tenhamos registros de que, livres na natureza, os gambás se alimentam de escorpiões, há relatos de alguns que estavam em cativeiro comendo escorpiões quando estes lhes foram oferecidos. Mas vários outros marsupiais americanos – marsupiais são os animais que tem aquela bolsa na barriga para carregar seus filhotes logo após o nascimento – comem escorpiões com certeza. Podemos afirmar isso porque foram encontrados restos de escorpiões nas fezes desses animais, e também porque eles foram filmados consumindo escorpiões. Alguns desses marsupiais são muito menores do que os gambás e isso não os impede de comer os escorpiões. Por esse motivo, é quase certo que os gambás comam escorpiões na natureza quando têm oportunidade. No geral, gambás costumam se alimentar de frutos, pequenos vertebrados e invertebrados, incluindo aranhas.

E como esses marsupiais não são intoxicados e nem morrem por causa do veneno dos escorpiões? Simples: os gambás são imunes ao veneno de escorpiões e serpentes! Seu sangue contém substâncias que conseguem neutralizar os venenos de serpentes e escorpiões. Isso permite que gambás comam serpentes, por exemplo, sem se incomodar com as mordidas que recebem. Por essa razão, os gambás são também estudados para fornecer antídotos para tratamento de picadas de escorpiões e mordidas de serpentes.

 

Diego Astúa,

Laboratório de Mastozoologia,
Departamento de Zoologia,
Universidade Federal de Pernambuco.

… se o porquinho-da-Índia é mesmo um porco?

Nãããão! O porquinho-da-índia, também conhecido como preá ou cobaia, não é um porco! É uma espécie de roedor de tamanho médio do gênero Cavia, que foi domesticada pelo homem, assim como o cachorro, o gato e outros animais de estimação. Todas as formas selvagens desse animal são naturais da América do Sul, onde ocorre em quase todos os locais – com exceção de parte da Amazônia e nas partes mais ao sul do Chile e da Argentina.

Em quase todo o mundo há pessoas criando porquinhos-da-índia, de estimação ou para experiências em laboratórios. Esse roedor foi domesticado há milhares de anos. As escavações arqueológicas no Peru e na Colômbia encontraram espécimes de 9 mil anos, e eles parecem ter sido domesticado desde 4.500 anos atrás, para serem utilizados como alimento e para uso em rituais religiosos.

Até hoje os porquinhos-da-índia servem como alimento, principalmente no Peru, mas também na Bolívia, Equador, Colômbia e no nordeste do Brasil. Escavações arqueológicas na Europa encontraram restos de porquinho-da-Índia datando dos anos 1500.

A origem do nome porquinho-da índia é difícil de explicar porque eles não são porquinhos e muito menos vieram da Índia. A principal hipótese para o nome “Índia” é que, no século 16, quando os navegadores espanhóis buscavam um novo caminho para as Índias, em busca de especiarias, chegaram por engano em terras sul-americanas, mais exatamente no atual Peru. Nesse lugar, tiveram contato com os “porquinhos”, que eram um dos pratos principais na região. Ao retornarem com esses bichinhos para a Europa, os animais passaram a ser associados à Índia.

Os indígenas brasileiros também comiam os porquinhos-da-índia, aos quais chamavam de çabujê, que significa ‘rato que se come’. O emprego do nome porquinho pode ter vindo d a sua aparência. Dá uma olhada só no corpinho dele… Não parece mesmo um mini porco? Tanto parece que seu nome científico é Cavia porcellusporcellus significa ‘porquinho’.

 

Cibele R. Bonvicino

Divisão de Genética,
Instituto Nacional de Câncer.

Ilustrações Marcelo Pacheco

Matéria publicada em 22.03.2019

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Nossa, que curiosidade legal que os gambás comem escorpiões, vou contar isso aos meus amigos!

    Publicado em 2 de junho de 2019 Responder

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