Quero saber…

Por que é muito importante conviver com as diferenças?

Dê uma olhadinha à sua volta. Tanto faz se você está na escola, na rua ou em casa… Quantas diferenças você vê entre as pessoas ao seu redor? Muitas, não é? Pode ser diferença de altura, de idade, na cor dos cabelos, dos olhos, da pele. Pode ser que alguém tenha nascido em uma cidade ou país diferente do seu. E outras pessoas podem não ouvir, não ver ou não andar. As possibilidades de diferenças são infinitas!

Essa diversidade é a beleza do nosso mundo. Todos devemos nos respeitar e conviver uns com os outros, sem levar em conta as diferenças superficiais que cada um tem. Em toda sociedade, essas diferenças existem. Mas a convivência fica muito melhor quando se entende que o outro é diferente… mas é também igual, como ser humano e como cidadão! Só com esse respeito entre nós é que podemos ter uma sociedade que busca direitos iguais para todos. E deveres também… Um dos princípios mais importantes de uma sociedade é que todos, adultos e crianças, sejam iguais perante a lei.

 

Existem leis especiais no Brasil para crianças com deficiência?
Vamos lembrar primeiro que a criança com deficiência é, antes de tudo, uma criança brasileira! Destacar isso é importante para garantir igualdade de tratamento e de oportunidades, sabia?
As crianças recebem atenção especial das nossas leis. E as crianças que precisam ter atenção especial são prioridade! Entre elas, estão as crianças com deficiência. Elas precisam desse cuidado diferenciado para que possam se desenvolver…


A lei brasileira fala, por exemplo, do direito à educação inclusiva. Quer dizer que as crianças com deficiência têm o direito de frequentar as mesmas escolas que as crianças sem deficiência. E essas escolas devem oferecer tudo aquilo que a criança com deficiência precisa para aprender! Quer ver só?
Para que uma criança cega possa se alfabetizar, ela precisa aprender a ler e escrever braile. O braile é um sistema de escrita inventado no século 19 pelo educador francês Louis Braille, que era cego. Esse sistema é formado por pontinhos em alto relevo que são “lidos” com as pontas dos dedos. Os pontos significam letras do nosso alfabeto. Uma criança cega na escola precisa de material impresso em relevo e também de uma reglete para escrever. Sim, reglete! É uma pequena prancheta com folhas de papel, uma régua de aço com furos e um furador de papel que vai permitir a essa criança escrever em braile.
Ter acesso a tecnologias especiais é um dos meios para atingir a igualdade. No caso das crianças com deficiência, essas tecnologias são chamadas de tecnologias assistivas. E elas estão na nossa lei!

 

O que são tecnologias assistivas e como elas ajudam as crianças com deficiência?

Tecnologias assistivas são produtos e serviços criados para assistir, ou seja, ajudar pessoas com deficiência a participarem da sociedade. O direito às tecnologias assistivas está na lei brasileira!

Desde que as tecnologias começaram a fazer parte do nosso dia a dia, no século 20, passamos a sonhar com a ideia de que essas tecnologias poderiam servir para o desenvolvimento de um mundo melhor e mais prático. Para as pessoas com deficiência, o sonho foi (e ainda é!) ter o apoio dessas tecnologias para atender suas necessidades especiais e ajudá-las a ter independência e igualdade.

Alguns avanços já aconteceram! Hoje existem, por exemplo, programas especiais que permitem a uma pessoa cega usar um computador comum. Também com a tecnologia assistiva, uma criança surda pode ter o apoio de um intérprete de língua de sinais na sala de aula. Ou pode assistir a programas na televisão com legendas! São os chamados closed-captions ou “legenda oculta”, que são frases que indicam na tela o que está sendo falado.

Sabia que a tecnologia assistiva está até na bengala usada para ajudar uma pessoa cega a caminhar? É uma bengala “inteligente”, que emite sons ao identificar obstáculos na rua. Pense agora nas pessoas com deficiência que não podem mexer braços nem pernas. Existem cadeiras de rodas que elas podem “dirigir” apenas com o comando de um sopro!

A má notícia é que ter acesso às tecnologias assistivas ainda é um desafio no Brasil… Não são muitos esses produtos e serviços por aqui. A boa notícia é que muita gente continua lutando para colocar essas tecnologias ao alcance de todos. As tecnologias assistivas são um caminho muito importante para construir igualdade de oportunidades para as pessoas com deficiência!

 

Teresa da Costa D’ Amaral,
Superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD)

Matéria publicada em 21.11.2018

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