Que mistura é essa?

Vamos montar um quebra-cabeça de palavras. Pegue ‘eco’ (= casa), junte com ‘toxi’ (= tóxico) e, por último, acrescente ‘logia’ (= estudo). O resultado – confere aí! – é ‘ecotoxicologia’, certo? Essa é uma área da ciência que, podemos dizer, estuda as toxinas presentes na nossa casa. Ou melhor: estuda os efeitos de substâncias químicas no ambiente (que é a casa de todos) e também nos seres vivos. Parece que vai rolar uma química entre você e esse texto! Vem saber mais!

Ilustração Ana Matsusaki

A ecotoxicologia é uma ciência que surgiu há, aproximadamente, 40 anos. Para os pesquisadores e pesquisadoras, tudo começou com o lançamento de um livro chamado Primavera silenciosa, da bióloga Rachel Carson. A autora colocou neste livro um monte de exemplos de problemas ambientais provocados por nós, seres humanos. Um desses exemplos é a relação entre o uso de um inseticida (substância utilizada para matar insetos) e a morte de diversas aves – entre elas a águia-calva, símbolo dos Estados Unidos.

O estudo das aves que se alimentavam de peixes que, por sua vez, se alimentavam de larvas de insetos contaminadas pelo tal inseticida revelou que os ovos que elas botavam apresentavam cascas muito frágeis. Então, quando as aves tentavam chocar seus ovos, eles acabavam se quebrando, o que diminuiu o número de indivíduos da águia-calva e de muitas outras espécies. No fim das contas, e para a felicidade das espécies afetadas, a produção e o uso desse inseticida acabaram sendo controlados. Mas este é apenas um exemplo de problema analisado pela ecotoxicologia, nem todos têm finais felizes.

 

Mundo tóxico

Nos dias de hoje, há muito mais contaminantes sendo lançados na natureza do que há 40 ou 50 anos, e o avanço da industrialização e o crescimento da população fazem com que a degradação da natureza seja cada vez maior.

Repare: se a população cresce, as indústrias de todo tipo passam a produzir mais produtos para oferecer a um número cada vez maior de pessoas. Ao mesmo tempo, com o desenvolvimento da indústria, passamos a ter novas “necessidades” (ou desejos), como trocar de celular mesmo que o anterior nem esteja tão ultrapassado assim ou levar para casa uma comida congelada superprática, mas servida em embalagens plásticas e descartáveis.

Para que a indústria produza mais, mais elementos naturais são retirados do ambiente. Ao mesmo tempo, mais lixo resultante da fabricação e do consumo dos produtos industrializados volta para o ambiente, e muitas vezes esse lixo não tem o destino adequado. Tanto com a produção quanto com lixo, o ambiente sofre as consequências, e a ecotoxicologia está atenta para tentar solucionar ou reduzir esse problema.

 

Dona natureza, do que você precisa?

Para saber como tratar o ambiente maltratado pelas substâncias tóxicas, os pesquisadores “perguntam” para quem realmente sabe: para a natureza. Mas como?

Bem, alguns animais, por exemplo, são usados em testes laboratoriais – os chamados bioensaios –, nos quais se testam diferentes contaminantes e seus efeitos. Hoje, esses testes precisam ser aprovados por especialistas para garantir que as condições de manipulação dos animais usados nos testes sejam totalmente adequadas.

Nesses bioensaios, podem ser investigados os efeitos no comportamento dos animais (como agressividade ou diminuição da capacidade de locomoção), nos ciclos de vida (como a reprodução) e muitos outros. Esses efeitos prejudiciais, por mais que não ocorram de imediato, com o tempo, podem até afetar a sobrevivência de uma espécie.

 

Na terra e no ar

Minhocas, peixes, algas, microcrustáceos e outros organismos são utilizados em bioensaios. Quer um exemplo do que os pesquisadores observam? Veja só: as minhocas evitam solos contaminados, quando estão sobre eles, esticam seus corpinhos e fogem. Ou seja: a fuga das minhocas diz para os pesquisadores que há algum problema com a qualidade do solo – ele pode conter substâncias químicas de efeito prejudicial para plantas e outros seres vivos.

Quando as minhocas fogem do solo, pode ser sinal de que ele está contaminado.
Foto Wikipédia

A ecotoxicologia também olha para o ar, ou melhor, para a qualidade do ar. Neste caso, o objetivo é avaliar os contaminantes presentes no ar: uma missão para os líquens. Esses organismos, formados pela associação entre fungos e algas, são sensíveis à poluição atmosférica. Ao analisá-los, os pesquisadores conseguem descobrir o grau de poluição da atmosfera.

 

Assunto é global

A ecotoxicologia integra todos os ambientes, percebendo os danos de uma substância tóxica não somente onde ela está, mas até aonde esses danos podem ir. O uso dos pesticidas (como também são chamados os agrotóxicos) podem resultar em problemas que vão longe! Veja o gráfico:

Os líquens podem informar aos cientistas o grau de poluição do ar.
Imagem Helena de Oliveira Souza
Gráfico Marcelo Badari

Nossos aliados bioindicadores

Os bioindicadores são organismos comuns em um determinado local e que são capazes de “indicar” a presença de algo tóxico no ambiente. Já foi comprovado, por exemplo, que uma substância presente nas tintas de proteção dos cascos dos navios gera características masculinas em fêmeas de uma espécie de caramujo marinho. Essa substância é, portanto, tóxica!

Pensar e agir

Se agirmos sem pensar que os elementos da natureza são limitados, podemos ter desagradáveis surpresas no futuro, como precisar e não ter mais. Por isso, devemos pensar antes de consumir, evitando o excesso de extração de matéria-prima e também a poluição resultante do funcionamento das fábricas e do lixo após o consumo.

Você quer contribuir com a preservação ambiental, mas não tem ideia do que fazer? Aqui vão três pequenas dicas: separe o lixo e leve os recicláveis nos pontos de coletas de resíduos da sua cidade; evite usar sacolas plásticas; doe tudo aquilo que estiver em boas condições e possa ser reaproveitado por outras pessoas. Pequenas ações como essas são de grande ajuda para a saúde do ambiente.

Helena de Oliveira Souza

Laboratório de Ecotoxicologia Marinha
Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Rafaela dos Santos Costa

Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente
Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Gabrielle Rabelo Quadra

Laboratório de Ecologia Aquática
Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação da Natureza
Universidade Federal de Juiz de Fora

Marcos Antônio dos Santos Fernandez

Laboratório de Ecotoxicologia Marinha
Universidade Estadual do Rio de Janeiro

Matéria publicada em 20.10.2020

COMENTÁRIOS

  • Simone

    muito legau eu pelomenos amei

    Publicado em 21 de outubro de 2020 Responder

  • Luciana

    Parabéns. Que esse artigo possa despertar milhões de pessoas

    Publicado em 21 de outubro de 2020 Responder

  • Liz

    Gostei do texto !!!! Se cada ser humano adotar pequenas ações, podemos contribuir bastante para a melhora da nossa casa (nosso ambiente), Cada atitude conta !!!!

    Publicado em 21 de outubro de 2020 Responder

    • Nivea

      Gostei muito do texto espero que todos hostem tambem

      Publicado em 22 de outubro de 2020 Responder

  • Lauren

    Eu achei muito interessante porque explica coisa diferente

    Publicado em 24 de outubro de 2020 Responder

  • Maria do Carmo Souza

    O meio ambiente só será melhorado, se cada cidadão, fizer mesmo um pouco a cada dia e ainda puxar a orelha daqueles que acham que não é responsável pelo espaço que ocupa.

    Publicado em 26 de outubro de 2020 Responder

    • André Lucas Alves Nazário

      Muito bom saber um pouco sobre o assunto

      Publicado em 11 de novembro de 2020 Responder

  • Gabriel

    É legal saber um pouco sobre o assunto!
    É importante essa ciência, e tudo que ela traz ao meio ambiente,

    Publicado em 27 de outubro de 2020 Responder

  • Maysa Deegan Rocha

    Olá, Editores e Autores!
    Gostei muito da matéria pois aprendi que quando a minhoca esta correndo pelo solo significa que ele está poluído.
    Também gostei de aprender sobre essa ciência que estuda a poluição no meio ambiente.
    Muito legal!!!

    Abraços,

    Maysa- 8 anos
    Salvador-BA

    Publicado em 3 de novembro de 2020 Responder

  • Helena

    Maysa! Que bom que gostou. O assunto é preocupante mas aprender sobre ele é muito importante e necessário para ajudar a mudar. Este artigo foi feito com muito carinho para vocês.

    Um abs bem grande dos autores

    Publicado em 3 de novembro de 2020 Responder

  • Helena

    Abraço bem grande dos autores

    Publicado em 4 de novembro de 2020 Responder

  • Kerolyn Vitória Bastos de Siqueira

    05/11/2020

    SÃO GONÇALO RJ.

    KEROLYN VITÓRIA BASTOS

    Amei o texto, queria muito que a natureza fosse mais valorizada pelos seres humanos, para assim os animais serem respeitados.

    Queria que vocês da “CHC”, públicassem um livro de tema “ANIMAIS EM EXTINÇÃO”,

    MUITO OBRIGADA, APRENDI MUITO COM ESSE TEXTO.

    Publicado em 5 de novembro de 2020 Responder

  • murilo

    orrivel imprestavel

    Publicado em 9 de novembro de 2020 Responder

    • anônimo

      vc que e Murilo

      Publicado em 2 de dezembro de 2020 Responder

  • talles

    nada

    Publicado em 9 de novembro de 2020 Responder

  • talles

    minicrafit

    Publicado em 9 de novembro de 2020 Responder

    • Carla

      vc e o Talles que joga minigraft e tem um canal😆😥😮😲????????????..?

      Publicado em 2 de dezembro de 2020 Responder

  • talles

    jogos

    Publicado em 9 de novembro de 2020 Responder

  • FABIELLE FERREIRA DA SILVA MINOTTI

    QUE MISTURA É ESSA?
    OI, PESSOAL DA CHC, NÓS SOMOS ALUNOS DO 3ª ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL, DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA PADRE JOSÉ ANCHIETA. NÓS LEMOS SOBRE AS MINHOCAS E GOSTAMOS DE SABER QUE QUANDO O SOLO ESTÁ CONTAMINADO AS MINHOCAS FOGEM DO LOCAL. MAS TEMOS UMA DÚVIDA: O QUE SÃO ESSES RISQUINHOS, TIPO ANÉIS QUE APARECEM NO CORPO DA MINHOCA? ATÉ BREVE , CHC! AGUARMOS SUA RESPOSTA.
    ALUNOS DO 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL:
    ALICE, AMANDA,ANDRÉ,ARTHUR MESQUITA,ARTHUR FRONNER, CLARICE, GLÓRIA, HENRYK, LETICIA, LUCCA, MARIA JULIA, MARIANA, MIGUEL, OLAVO, PEDRO AMORIM, PEDRO PIRES, VITOR, YASMIM E PROFESSORA FABIELLE.
    ARAPUTANGA/ MT

    Publicado em 10 de novembro de 2020 Responder

    • Fernanda

      Olá, crianças!
      Fiquei muito feliz por saber que sua turminha está lendo um material de tão boa qualidade quanto o CHC! Não trabalho para o editorial, mas sou professora e fico muito feliz quando vejo crianças interessadas em aprender cada dia mais!
      Quanto à dúvida de vocês, posso ajudar esclarecendo que os risquinhos que vocês perceberam no corpinho da minhoca é uma das características que definem sua classificação. As minhocas fazem parte de uma classe de animais denominada “ANELÍDEOS”, justamente por esta característica que vocês observaram, ou seja, são animais que apresentam o corpo segmentado, isto é, dividido em anéis. Dos animais que pertencem a esta classificação, a minhoca é o mais conhecido.
      Espero ter ajudado a esclarecer a dúvida e desejo que vocês continuem assim, curiosos e interessados, buscando sempre novos conhecimentos e fazendo grandes descobertas, pois vocês serão nossos cientistas de amanhã.
      Um grande beijo para todos vocês,
      Professora Fernanda

      Publicado em 12 de novembro de 2020 Responder

      • Manuela soares bambirra

        Obrigado

        Publicado em 17 de novembro de 2020

      • Manuela soares bambirra

        muito obrigado tia

        Publicado em 17 de novembro de 2020

  • André Lucas Alves Nazário

    Muito bom

    Publicado em 11 de novembro de 2020 Responder

  • André Lucas Alves Nazário

    Muito bom e interessante saber de tudo isso

    Publicado em 11 de novembro de 2020 Responder

  • André Lucas Alves Nazário

    Muito bom 👍

    Publicado em 11 de novembro de 2020 Responder

  • André Lucas Alves Nazário

    Muito bom 👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍😀😀😀😀

    Publicado em 11 de novembro de 2020 Responder

  • André Lucas Alves Nazário

    Eu André Lucas achei muito legal

    Publicado em 11 de novembro de 2020 Responder

  • Isaque

    Meio sem graça, mas interessante.

    Publicado em 11 de novembro de 2020 Responder

    • anônimo

      sem graça sua vo

      Publicado em 2 de dezembro de 2020 Responder

  • Camilly i love Now United

    Eu já sabia disso!☺️

    Publicado em 11 de novembro de 2020 Responder

  • Julia silva

    amei saber mais

    Publicado em 13 de novembro de 2020 Responder

  • Julia silva

    ADORO APRENDER MAIS COISAS

    Publicado em 13 de novembro de 2020 Responder

  • Julia silva

    EU AMO APREDER EM SITES EDUCATIVOS

    Publicado em 13 de novembro de 2020 Responder

  • Maria fernanda ferreira

    eu gostei muito do blogue e da istorinha é muito divertido e legal para aprender a ler, escrever e se divertir muito.

    Publicado em 16 de novembro de 2020 Responder

  • Vinícius Fernandes Daneluti

    Nossa que impressionante essas notícias

    Publicado em 17 de novembro de 2020 Responder

  • among us

    nossa e tao legal que travou meu computador kkkkk

    Publicado em 17 de novembro de 2020 Responder

  • 3° Ano A /Colégio Simetria

    Guarulhos,18/11/2020

    Boa Tarde CHC
    Nós somos o 3° Ano A do Colégio Simetria,
    Gostamos muito desse artigo ele pois aprendemos que quando a minhoca está correndo pelo solo significa que ele está poluído.
    E isso nos ensina que não devemos poluir o solo,e as vezes fazemos isso por jogar lixo no chão.E é verdade oque vocês disseram,
    ¨Se agirmos sem pensar que os elementos da natureza são limitados, podemos ter desagradáveis surpresas no futuro, como precisar e não ter mais. Por isso, devemos pensar antes de consumir, evitando o excesso de extração de matéria-prima e também a poluição resultante do funcionamento das fábricas e do lixo após o consumo¨.

    Gostamos muito desse assunto!!!
    Abraços,

    3° Ano A
    Colégio Simetria.

    Publicado em 18 de novembro de 2020 Responder

  • davi

    eu gostei dessa pagina

    Publicado em 23 de novembro de 2020 Responder

  • Miguel Assis

    Muito legal essa página

    Publicado em 26 de novembro de 2020 Responder

  • Felipe neto

    olaaaaaa eu sou Felipe neto e bom fala que esse conteúdo e absolutamente uma bosta devia ter tirado print e manda pro mosca hahahahaha

    Publicado em 2 de dezembro de 2020 Responder

  • Christine Ruta

    Parabéns Helena et al., excelente artigo!

    Publicado em 2 de dezembro de 2020 Responder

  • anonimo

    vc n e o felipe porque na data do seu comentario vc estava gravando um video

    Publicado em 3 de dezembro de 2020 Responder

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