Planeta anão? Ah, não… que confusão!

Por que Éris, Ceres, Plutão e outros mudaram de categoria?

Em 2006, a comunidade astronômica profissional classificou no Sistema Solar apenas oito corpos como “planetas”. Plutão foi rebaixado à categoria de “planeta anão”. Ao mesmo tempo, o até então asteroide Ceres “subiu de posto”, passando também a ser classificado como “planeta anão”. Mas por que isso foi feito? Essa é mais uma prova de como a ciência, que não para de caminhar, traz sempre muitas novidades!

No final do século passado, houve uma grande melhoria na capacidade de observação, com novos telescópios maiores e/ou melhores. Ganhamos, por exemplo, a possibilidade de identificação de planetas em outros sistemas estelares. Assim, começamos a poder ver corpos mais longe do Sol, mas ainda rodando ao redor dele.

PLUTÃO

Os corpos que passamos a conhecer para além de Plutão eram todos de tamanho parecido com ele. Até que identificaram um com mais massa! Bem humorada, a comunidade o batizou de “Éris”, a deusa grega da discórdia, a responsável pelo início da Guerra de Troia.

Mas não foi só isso que levou à criação da nova categoria de corpos ao redor do Sol. A dinâmica celeste, ramo da astronomia que estuda como os corpos celestes estão, onde estão e como ali se movem, deu também a sua contribuição: os corpos para além de Netuno estariam lá porque foram expulsos no processo de formação dos planetas. Plutão seria apenas o primeiro entre os grandes excluídos.

ERIS

Em 2006, os astrônomos profissionais do mundo, que fazem sua assembleia geral de três em três anos, estavam reunidos em Praga, capital da República Tcheca. Na pauta de discussões: “tudo que é redondo e roda diretamente ao redor de uma estrela é um planeta?”. Para defender seus estudos estavam, de um lado, os cientistas da dinâmica celeste, vários estudiosos de sistemas planetários e os educadores (para estes, era complicado no ensino básico trabalhar com uma lista agora interminável de “planetas”); do outro lado, basicamente, astrônomos americanos que queriam preservar o lugar de planeta daquele que haviam descoberto.

A explicação vitoriosa foi a seguinte: pra ser planeta, o corpo tem também de “mandar no seu pedaço” (essa expressão é minha!). Isso quer dizer que Plutão dá três voltas ao redor do Sol enquanto Netuno realiza duas. Como Plutão, estavam identificados muitos outros que tinham esta mesma proporção no período de suas órbitas e, por isso, foram chamados “plutinos”. No fundo, os plutinos sofrem tanto a ação do Sol quanto de Netuno. Mas todo planeta gira em torno do Sol por influência de nosso “astro-rei”, não é mesmo? Assim, ficou claro que Plutão não “mandava no seu pedaço”. Quem também “manda no pedaço” de Plutão é Netuno, que manda ainda em todos os plutinos!

Ser cientista é um barato, não é mesmo? Mas ainda é necessário mais investimentos e a valorização da ciência no Brasil. Quem sabe, quando você estiver mais crescido não estaremos vivendo uma nova era, mais favorável aos pesquisadores.


Jaime Fernando Villas da Rocha,
Departamento de Física,
Instituto de Biociências,
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Membro do Interdisciplinary Center for the Unknown

Sou astrônomo e, claro, um apaixonado pelos astros – a começar pelo planeta em que vivemos. Este espaço fala de como vemos o Espaço, incluindo a Terra.

Matéria publicada em 17.09.2020

COMENTÁRIOS

  • Leonardo Vasco de Mattos

    Obrigado por me informer iso!😁😁😁

    Publicado em 23 de setembro de 2020 Responder

  • jorescrebaldo

    nao li mais vou ler kkkkkkkkkkkkkk

    Publicado em 28 de setembro de 2020 Responder

  • isaac

    o planeta e gigante

    Publicado em 30 de setembro de 2020 Responder

  • DÁLIA

    OLA EU SOU A DÁLIA E ADOREI A REPORTAGEN DO PLANETA ANÃO , E EU E A MINHA ESCOLA LEMOS VARIAS NOTISIAS DE VCS

    Publicado em 9 de outubro de 2020 Responder

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admin

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