O castelo faz 100 anos!

Na cidade do Rio de Janeiro, bem na margem da Avenida Brasil, existe um castelo. Nele não moram reis, rainhas, príncipes ou princesas. Se existe alguém reinando por lá, é a Ciência!

Construção do Pavilhão Mourisco (Castelo da Fiocruz), em 1910.
Foto Acervo Fiocruz

O castelo é a sede de uma das maiores instituições científicas brasileiras, a Fundação Oswaldo Cruz. Mas, no começo do século passado, o lugar era apenas uma fazenda, a Fazenda Manguinhos. Aos poucos, as salas da antiga casa foram adaptadas para funcionar como laboratórios, e o lugar passou a se chamar Instituto Manguinhos.

Acontece que os espaços ainda eram pequenos para a grandiosidade do que se pretendia ali: inaugurar uma instituição para cuidar da saúde pública no Brasil.Para cumprir um propósito tão importante, alguém teve a ideia de construir um castelo. Mas quem? Vamos conhecer um pouco mais dessa história centenária…

Saúde Pública é

…um conjunto de ações voltadas a prevenir doenças e promover a saúde física e mental dos cidadãos de um país. Inclui tratamento da água e do esgoto das cidades, a vacinação e o atendimento médico, entre outras atividades.

O começo

Um dos primeiros pesquisadores a trabalhar no Instituto Manguinhos foi o médico Oswaldo Cruz, que acabara de chegar de Paris, na França, onde havia aprimorado sua formação. Ele tinha a missão de fabricar soros e vacinas para combater as epidemias de peste, febre amarela e varíola, que ameaçavam o Rio de Janeiro, capital do Brasil na época.

Com sua nomeação em 23 de março de 1903 para Diretor Geral de Saúde Pública (função equivalente ao de ministro da saúde de hoje), cargo em que ficou até o final de 1909, Oswaldo Cruz conseguiria o dinheiro necessário para erguer melhores instalações para seus laboratórios em Manguinhos.

 

Convite ao português

Oswaldo Cruz contratou o engenheiro português Luiz Moraes Junior para projetar as instalações do que seria o Castelo. Na época, Moraes trabalhava nas obras de reforma da Igreja da Penha a convite do pelo vigário-geral da paróquia. Ele veio da cidade de Faro, sul de Portugal, no ano de 1899 só para trabalhar na paróquia. As obras na Igreja da Penha duraram de 1900 a 1902, justamente nos primeiros anos de funcionamento dos laboratórios adaptados nas salas da Fazenda de Manguinhos.

Oswaldo Cruz acompanhou admirado o serviço de Moraes na igreja. Eles se encontravam sempre no trem, que os dois pegavam para ir para seus trabalhos. Foi em uma dessas viagens que o cientista teria feito o convite para o português projetar os novos laboratórios.

 

Inspiração no oriente

Em 1905 começaram as obras de escavação das bases do que seria o edifício principal do

instituto: o Castelo de Manguinhos ou Pavilhão Mourisco.

O próprio Oswaldo Cruz escolheu o estilo mourisco, grandioso e com certo ar de mistério, como eram as obras arquitetônicas com inspiração oriental na Europa.Para o cientista, esse estilo simbolizava a grandeza da ciência e os segredos da vida.

Alhambra, um castelo erguido em Andaluzia, na Espanha, foi uma das grandes influências na construção do Castelo da Fiocruz. Além dessa construção, o Palácio de Montsouris(ou Palácio de Bardo), em Paris, na França, e a sinagoga de Berlim, na Alemanha, também serviram de base. Se acompanharmos os projetos realizados para o Castelo de Manguinhos é possível ver detalhes de cada uma dessas construções.

Assim foi erguido o palácio das ciências, com base em lugares visitados pessoalmente por Oswaldo Cruz.Porém, em 1916, o cientista foi trabalhar em Petrópolis e, em 1917 morreu, sem ver a obra finalizada, em 1918.

Estilo mourisco

O estilo mourisco, pensado por Oswaldo Cruz, era resultado de uma tendência que se espalhou, na cultura e na arte, do século 18. Esse estilo tinha como referência os países do Oriente e os impérios comandados pelos mouros, povos árabes que invadiram e conquistaram territórios da Europa. Eles erguerem, durante seu comando, belíssimas construções com estilos próprios.

As visitas de Oswaldo

Oswaldo Cruz visitou muito lugares que o ajudaram a pensar no prédio do Castelo. Entre eles…

O observatório parisiense de Montsouris, durante sua estada no Instituto Pasteur.
Fotos domínio público
A Sinagoga de Berlim,quando o cientista e o arquiteto Moraes, foram à Alemanha.

As visitas de Oswaldo

Oswaldo Cruz visitou muito lugares que o ajudaram a pensar no prédio do Castelo. Entre eles…

O observatório parisiense de Montsouris, durante sua estada no Instituto Pasteur.
Fotos domínio público
A Sinagoga de Berlim,quando o cientista e o arquiteto Moraes, foram à Alemanha.

Assim foierguido o palácio das ciências, com base em lugares visitados pessoalmente por Oswaldo Cruz.Porém, em 1916, o cientista foi trabalhar em Petrópolis e, em 1917 morreu, sem ver a obra finalizada, em 1918.

 

O tombamento do castelo

Em 1980, o castelo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(IPHAN). Quando uma construção é tombada, significa que ela se torna protegida por lei e deve ser preservada tal como é: não pode ser destruída ou remodelada.

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Detalhes geométricos de porta e vitral no interior do Castelo da Fiocruz. Foto Acervo Fiocruz
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Luminária no interior do Castelo da Fiocruz.
Foto Peter Ilicciev.
Detalhe de luminária instalada no interior do Castelo da Fiocruz.
Foto Peter Ilicciev.

O que é que o castelo tem?

O Núcleo Arquitetônico e Histórico de Manguinhos (NAHM) e em especial o Castelo da Fiocruz tem muitos atrativos: aseção de Obras Raras, o Salão de Leitura, a Coleção de Entomologia e novas áreas capazes de abrigar outras funções, como atividades educacionais e culturais para as pessoas que moram nas proximidades do castelo.

O castelo prevê ainda abertura de novos espaços para exposição nos próximos 10 anos, sendo as primeiras inaugurações previstas para 2020, como Sala Carlos Chagas e a Sala

Oswaldo Cruz. Em 2021, está programada uma exposição de longa duração que ocupará toda a ala sul do terceiro andar do castelo, que apresentará os acervos científicos da instituição. Ali, o público poderá vera história da ciência e da saúde no Brasil. Além de livros raros datados do século 17, documentos reconhecidos pela Unesco como “Memória do Mundo” e 35 coleções biológicas com amostras de bichos e plantas do início do século 20.

Vista noturna do Castelo da Fiocruz.
Foto: Peter Ilicciev

Renato da Gama-Rosa Costa Marcos José de Araújo Pinheiro
Casa de Oswaldo Cruz
Fundação Oswaldo Cruz

Matéria publicada em 21.08.2018

COMENTÁRIOS

  • Anna Elise

    Minha irmã a alguns anos ela estudou na Fiocruz.Eu já visitei várias vezes lá, pra buscar minha irmã,porém, nunca entrei no castelo.

    Publicado em 1 de setembro de 2018 Responder

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