O bravo nadador que virou história de pescador

Ele tem um hábito curioso: sobe o rio nadando contra a correnteza. Costumava ser comum em São Paulo, mas nunca mais foi visto por lá. Parece que já anda sumido também de outras regiões do Brasil, virando história de pescador… Quem será ele?

Repare nas manchinhas do couro do surubim. Ele é um peixe sem escamas.
Foto Acervo CESP

 

Ele é o surubim-do-Paraíba! Alguns pescadores o chamam de bravo,justamente porque ele sobe o rio nadando contra a correnteza, numa demonstração de força e resistência. É considerado um peixe nobre, valioso para os pescadores. Ocorre somente no sudeste brasileiro, mais precisamente na bacia do rio Paraíba do Sul, que inclui parte dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.Acontece que, em São Paulo, o surubim-do-Paraíba já é considerado extinto. E está cada vez mais difícil avistá-lo no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Esse peixe já foi muito importante para a pesca profissional. Até o início da década de 1950, toneladas de surubim-do-Paraíba eram capturadas anualmente. Infelizmente, com seu ambiente natural muito danificado, o surubim-do-Paraíba hoje corre o risco de desaparecer do planeta.

Nome científico:  Steindachneridion parahybae

Nome: surubim-do-Paraíba

Características: bagre(peixe de couro, sem escamas), tem o corpo de cor marrom clara, cheio de manchinhas pretas alongadas e a barriga branca.

Tamanho: cerca de 60 centímetros de comprimento

Os surubins têm olhos pequenos, mas longos bigodes que os ajudam a achar comida.
Foto Acervo Projeto Piabanha.

Vida de surubim

O surubim-do-Paraíba descansa durante o dia, em poças grandes, com cerca de três metros de profundidade, próximo a uma correnteza forte. Ele tem hábitos noturnos, ou seja, costuma se movimentar para se alimentar durante a noite. Seus olhos são bem pequenos, por isso, ele não enxerga muito bem. Para se virar no ambiente, ele usa seus longos “bigodes”, chamados barbilhões, para perceber o que está ao seu redor e capturar outros peixes e crustáceos, seus alimentos preferidos.

Essa vida aparentemente tranquila do surubim-do-Paraíba está bastante ameaçada. E tudo começou no século 17, quando as florestas às margens do rio Paraíba do Sul – chamadas matas ciliares – começaram a ser desmatadas para dar espaço às plantações de cana-de-açúcar e café. A mata ciliar é muito importante para os rios e os seres que neles vivem, porque atua impedindo a entrada de poluentes e mantendo a qualidade e a temperatura das águas.

Com o passar do tempo, o solo dessas florestas desmatadas deixou de ser fértil para a plantação de cana e café, que foram abandonadas e se transformaram em pastagens para o gado. Essas grandes áreas sem muita vegetação sofreram com o desgaste do solo, que passou a ser arrastado para dentro do rio, prejudicando o surubim-do-Paraíba e outros seres vivos.

Além dos problemas provocados pela perda da mata ciliar, o surubim-do-Paraíba enfrenta ainda questões sérias como a poluição das águas do rio por lançamento de esgoto doméstico e industrial sem tratamento, a pesca excessiva e a introdução de espécies exóticas – como o bagre-africano.

O rio, o peixe e a poluição

Nas últimas décadas, houve grandes vazamentos de produtos químicos na bacia do Rio Paraíba do Sul. Um caso importante ocorreu em 2008, quando aproximadamente oito mil litros de pesticida, veneno usado para combater pragas em plantações, foi despejado em um de seus afluentes, contaminando suas águas e causando a morte de muitos peixes, entre eles estavam muitos surubins-do-Paraíba.

Vida de surubim

O surubim-do-Paraíba descansa durante o dia, em poças grandes, com cerca de três metros de profundidade, próximo a uma correnteza forte. Ele tem hábitos noturnos, ou seja, costuma se movimentar para se alimentar durante a noite. Seus olhos são bem pequenos, por isso, ele não enxerga muito bem. Para se virar no ambiente, ele usa seus longos “bigodes”, chamados barbilhões, para perceber o que está ao seu redor e capturar outros peixes e crustáceos, seus alimentos preferidos.

Essa vida aparentemente tranquila do surubim-do-Paraíba está bastante ameaçada. E tudo começou no século 17, quando as florestas às margens do rio Paraíba do Sul – chamadas matas ciliares – começaram a ser desmatadas para dar espaço às plantações de cana-de-açúcar e café. A mata ciliar é muito importante para os rios e os seres que neles vivem, porque atua impedindo a entrada de poluentes e mantendo a qualidade e a temperatura das águas.

Com o passar do tempo, o solo dessas florestas desmatadas deixou de ser fértil para a plantação de cana e café, que foram abandonadas e se transformaram em pastagens para o gado. Essas grandes áreas sem muita vegetação sofreram com o desgaste do solo, que passou a ser arrastado para dentro do rio, prejudicando o surubim-do-Paraíba e outros seres vivos.

Além dos problemas provocados pela perda da mata ciliar, o surubim-do-Paraíba enfrenta ainda questões sérias como a poluição das águas do rio por lançamento de esgoto doméstico e industrial sem tratamento, a pesca excessiva e a introdução de espécies exóticas – como o bagre-africano.

Ilustração Mario Bag

Superar as barragens

Parece desanimadora a vida do surubim-do-Paraíba? Pois atualmente o maior de todos os seus problemas talvez seja a construção de barragens para a geração de energia hidrelétrica.Essas construções feitas para represar a água e gerar energia, mudam a dinâmica dos rios: os ambientes de corredeiras – os preferidos do surubim-do-Paraíba –, onde a água flui mais rapidamente, quase não existem.

Com tantos problemas somados, fica difícil o encontro de surubins para a reprodução, que ocorre no verão. Os pesquisadores acreditam que esse peixe seja uma espécie migradora, ou seja, que tem o hábito de mudar de lugar para se reproduzir. No caso, os surubins gostam de subir os rios para se acasalar e, para isso, precisam de ambientes com água corrente.

 

Ação para o peixe resistir

Depois desse monte de problemas relacionados à vida do surubim-do-Paraíba, lá vem uma notícia boa! Há muita gente trabalhando para evitar a extinção desse peixe e de outras espécies do rio Paraíba do Sul.

Desde 2010,o surubim-do-Paraíba faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas da Bacia do Rio Paraíba do Sul, em que vários cientistas buscam alternativas para salvá-las da extinção. Umas das ações mais importantes é a reprodução em cativeiro, que funciona assim:surubins adultos são capturados na natureza e levados até as estações de pesquisa para acasalamento. Os filhotinhos ficam nas estações até ficarem bem crescidos, quando são soltos na natureza.

 

Como ajudar?

Todas as ameaças à vida do surubim-do-Paraíba são resultado de ações humanas. Conhecer essa história e divulgá-la entre amigos e familiares já é uma forma de ajudar na conservação das espécies e do ambiente. Isso porque,com mais informação, nós, humanos, podemos pensar melhor antes de tomar decisões que venham prejudicar a natureza.

O surubim-do-Paraíba, como todas as espécies de seres vivos, tem importância para o equilíbrio ambiental. Tem também importância para as pessoas que vivem da pesca no rio Paraíba do Sul. Então, outra forma de ajudar é cobrando das autoridades ações que preservem esse peixe, como o tratamento do esgoto que é lançado nos rios, à recuperação de florestas e a proibição de construção de novas barragens.

Ah! Não podemos esquecer… Caso algum dia você ou algum conhecido seu pescar um surubim-do-Paraíba,trate de soltá-lo novamente no rio.Afinal, ele precisa crescer e ter seus filhotes para não sumir do mapa!

 

Jean Carlos Miranda Marcela Eringe Mafort,
Universidade Federal Fluminense.

Matéria publicada em 07.12.2018

COMENTÁRIOS

  • ANNA ELISE

    OS BAGRES SÃO MUITO ENGRAÇADOS.

    Publicado em 23 de fevereiro de 2019 Responder

Envie um comentário

admin

CONTEÚDO RELACIONADO

Tem pássaro e avião na rota de colisão!

Quando um crime acontece, é preciso fazer uma investigação para desvendá-lo. Existe uma especialidade chamada antropologia forense. As pistas seguidas por esses especialistas vêm de... ossos! Sim, os esqueletos também falam e ajudam a desvendar mistérios.

O som da natureza

Quando um crime acontece, é preciso fazer uma investigação para desvendá-lo. Existe uma especialidade chamada antropologia forense. As pistas seguidas por esses especialistas vêm de... ossos! Sim, os esqueletos também falam e ajudam a desvendar mistérios.