Espécie-chave

Conheça a juçara, uma palmeira muito especial da Mata Atlântica

Sabemos que, na natureza, as espécies se relacionam entre si de diferentes maneiras, formando uma imensa rede ecológica. Mas, algumas espécies fazem ligações tão importantes, e com tantas outras, que se elas faltarem pode ser muito ruim para o ambiente. Um bom exemplo disso que chamamos de “espécie-chave” é a juçara (Euterpe edulis), uma palmeira muito especial da Mata Atlântica.

A juçara ocorre em florestas desde o Rio Grande do Norte até a Argentina, onde, normalmente, é encontrada em grandes quantidades. Tem um caule fino e pode chegar a 20 metros de altura.
Foto Scott Zona/Flickr

Os frutos da juçara parecem coquinhos que brotam em grandes cachos. Cada palmeira produz milhares de frutos ao longo de praticamente todo o ano, mesmo quando há falta de frutos de outras árvores. E esta é uma de suas características mais importantes, porque esses frutos servem de alimento para cerca de 80 espécies de animais, como tucanos, sabiás, arapongas, jacus, antas, cotias, esquilos, catetos… ufa! Alguns desses animais são os responsáveis por dispersar as sementes da juçara pela floresta e, assim, sem perceber, acabam garantindo que novas gerações de palmeiras produzirão mais frutos no futuro.

O surgimento de novas juçaras também é importante para nós, humanos. De seus frutos, podemos produzir o “juçaí”, um alimento tão saboroso e nutritivo quanto o de sua prima amazônica, o açaí (Euterpe oleracea). Mas é o palmito extraído da juçara que mais agrada ao paladar da espécie humana. Infelizmente, em busca desse palmito, a juçara foi explorada de forma irresponsável em muitas regiões da Mata Atlântica, fazendo que ela seja considerada hoje uma espécie muito perto do risco de extinção.

Várias iniciativas para conservar a juçara têm sido realizadas para reverter essa situação. Uma das mais interessantes ocorre no Vale do Ribeira, em São Paulo. Dezenas de comunidades rurais, que vivem próximas às florestas, trabalham para coletar e tratar as sementes da juçara. Em seguida, essas sementes são lançadas por drones em áreas da floresta onde as palmeiras já não ocorrem mais. Com o trabalho conjunto de bichos, pessoas e tecnologia, vamos garantir o futuro dessa importante espécie vegetal.

As sementes da juçara são normalmente dispersadas pelas aves, mas agora conta com o reforço especial de drones.
Fotos Pedro Jordano Ramphastos_dicolorus (àesquerda) e Scarascia Acervo Fundação Florestal

vinicius

Vinícius São Pedro,
Centro de Ciências da Natureza,
Universidade Federal de São Carlos

Sou biólogo e, desde pequeno, apaixonado pela natureza. Um dos meus passatempos favoritos é observar animais, plantas e paisagens naturais.

Matéria publicada em 23.12.2021

COMENTÁRIOS

  • Jeovana Luiza ❤

    UaU, que d a 💝
    a r
    o

    Publicado em 23 de janeiro de 2022 Responder

Envie um comentário

CONTEÚDO RELACIONADO

Floresta azul?

Debaixo d’água existe uma floresta tão importante quanto às que temos em terra firme!

Um urso pelo Brasil

Ele dominou as Américas, mas desapareceu misteriosamente

Open chat