Desextinção?!?

É possível “ressuscitar” espécies? Ou melhor: trazer animais extintos de volta à vida?

Será que a ciência consegue trazer de volta à vida espécies que já desapareceram da Terra? Você quer mesmo saber a resposta? A reposta é sim! Como nos filmes de dinossauros, essa possibilidade científica está cada vez mais próxima de ser tornar realidade. Em diferentes partes do mundo, há pesquisas em andamento com o objetivo de “ressuscitar” algumas espécies que já desapareceram. O processo está sendo chamado desextinção.

Um dos primeiros desafios dos cientistas é exatamente escolher as primeiras espécies candidatas a voltarem a existir. Nossa empolgação nos leva a pensar nas espécies, digamos, mais fofas, ou nas maiores – seria o máximo ver alguns dinossauros andando por aí novamente, não? Mas ao contrário do que vemos nos filmes, nem toda espécie pode passar pelo processo de desextinção.

Isso porque a ciência de trazer espécies extintas de volta à vida se baseia em técnicas genéticas avançadas, como a clonagem. Para usá-las, precisamos do material genético, ou seja, de amostras do organismo dessas espécies extintas, em boa quantidade e qualidade. Infelizmente, isso só está disponível para um grupo limitado de espécies, a maioria delas extintas há bem menos tempo que os dinossauros.

Cabra-dos-pirineus.
Foto Juan Lacruz/wikimedia Commons/CC-SA-3.0
Lobo-da-tasmânia.
Domínio público

Mas já existem pesquisas adiantadas com algumas espécies curiosas, que podem ser as primeiras a deixar a lista de espécies extintas. Uma delas é um sapinho australiano, extinto na década de 1980, cuja fêmea incubava os ovos no estômago, para então “vomitar” os filhotes depois que eclodiam. Também entram nessa lista o lobo-da-tasmânia, o pombo-passageiro da América do Norte e a cabra-dos-pirineus.

Uma preocupação dos cientistas é que todo esse esforço não seja apenas para satisfazer nossa curiosidade. A desextinção pode ser uma solução para questões ambientais importantes, já que recuperar uma espécie extinta traz de volta também a função ecológica que ela exercia na natureza. Por esse motivo, os mamutes também entram na lista de candidatos a desextinção. Esses parentes peludos dos elefantes tinham um papel importante para o equilíbrio do ecossistema da Sibéria. Eles agiam como jardineiros, mantendo a grama baixa através da pastagem e fertilizando o solo com seus imensos cocôs. Quando se extinguiram a rica vegetação das estepes deu lugar ao tapete de musgos chamado tundra.

Unindo ciência, tecnologia e muito cuidado podemos estar perto de rever algumas espécies que sumiram da Terra num passado recente. Você gostaria de trazer de volta alguma espécie em especial? Por quê?


Vinícius São Pedro

Centro de Ciências da Natureza
Universidade Federal de São Carlos

Sou biólogo e, desde pequeno, apaixonado pela natureza. Um dos meus passatempos favoritos é observar animais, plantas e paisagens naturais.

Vinícius São Pedro

Centro de Ciências da Natureza
Universidade Federal de São Carlos

Sou biólogo e, desde pequeno, apaixonado pela natureza. Um dos meus passatempos favoritos é observar animais, plantas e paisagens naturais.

Matéria publicada em 18.08.2018

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