Competição de tatuzinhos

Quantos tatuzinhos-de-jardim você já encontrou? O quê? Não conhece esses animais? Pois a CHC vai apresentá-los aqui!

Quando criança, eu adorava brincar no quintal e na horta da minha avó Zezé. Mexendo na terra úmida, eu e meus primos competíamos para ver quem conseguia encontrar o maior número de tatuzinhos-de-jardim. Também conhecidos como tatus-bolinha, bichos-de-conta, dentre outros nomes, esses simpáticos animais são crustáceos, ou seja, parentes próximos dos camarões, lagostas e caranguejos.

Ao contrário dos seus “primos” aquáticos, os tatuzinhos são capazes de viver(e muito bem) em terra firme.Da capacidade de se enterrar no solo e de sua aparência encouraçada veio o nome “tatuzinho”. A habilidade de se esconder e viver na terra é antiga: cientistas já encontraram fósseis de tatuzinhos que viveram há 110 milhões de anos. Para os pesquisadores,esses bichos são ainda mais antigos, e existiriam há cerca de 360 milhões de anos.

Tatuzinhos-de-jardim têm dois pares de antenas na cabeça (mas um é quase invisível) e nada menos que sete patas de cada lado do corpo. Consegue contá-las?
Foto Pedro Alvaro Neves

Já foram catalogadas mais de 4 mil espécies do grupo dos tatuzinhos, e está enganado quem pensa que são todos “de jardim”. Existem espécies de tatuzinhos adaptadas à vida nos mais diferentes ambientes terrestres, como rochas no litoral, florestas, cavernas, montanhas, e até desertos.

No Brasil,já foram descobertas por volta de 160 espécies, número que segue crescendo à medida que novas pesquisas vão sendo feitas. Muitas espécies de tatuzinhos existem somente aqui no nosso país.

Na natureza os tatuzinhos desempenham um importante papel ecológico: eles são detritívoros, ou seja, se alimentam de matéria orgânica em decomposição, como folhas e madeira. É por isso que eles são comuns em hortas, jardins e quintais.

Quando são ameaçados, os tatuzinhos-de-jardim se enrolam, fcando protegidos pela carapaça que cobre seu corpo
Fotos Pedro Alvaro Neves

Lá na horta da minha avó Zezé, assim que desenterrávamos os tatuzinhos, eles se enrolavam como uma bolinha, protegidos pela sua carapaça, para se defenderem. Mas logo eram devolvidos ao seu lar a salvo, após contarmos quantos tatuzinhos cada um de nós tinha encontrado. No fim, todo mundo saía vencedor, aprendendo um pouco mais sobre a vida desses pequenos seres tão interessantes.


Henrique Caldeira Costa
Departamento de Zoologia, Universidade Federal de Minas Gerais.

Sou biólogo e muito curioso. Desde criança tenho interesse especial em pesquisar os seres vivos, especialmente o mundo animal. Vamos fazer descobertas incríveis aqui!

Henrique Caldeira Costa
Departamento de Zoologia, Universidade Federal de Minas Gerais.

Sou biólogo e muito curioso. Desde criança tenho interesse especial em pesquisar os seres vivos, especialmente o mundo animal. Vamos fazer descobertas incríveis aqui!

Matéria publicada em 26.09.2018

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