As várias formas de olhar para o céu

Usando diferentes equipamentos, podemos hoje “ver” estrelas, planetas e outros astros de um jeito que nunca imaginamos!

Ilustração Walter Vasconcelos

Pare e pense no nome desta coluna: De olho no Espaço. Você sabia que olhar para o Espaço é algo que faz parte do dia a dia da humanidade desde sempre? Mesmo antes de sermos a espécie que somos hoje, já admirávamos os astros! Mas, com o tempo, esse “olhar” mudou, ou melhor, ele ficou mais amplo, ficou ainda mais curioso.

No início, nossos ancestrais observavam o céu a olho nu e percebiam as mudanças entre os dias e as noites e entre as estações do ano. Eles também observavam as estrelas e pintavam constelações nas paredes das cavernas.

Uma grande mudança aconteceu quando o cientista italiano Galileu Galilei resolveu apontar pela primeira vez uma luneta para o céu, em 1609. A luneta é um instrumento com lentes que aumentam o tamanho de objetos que estão muito distantes de nós. Com a luneta, conseguimos ver o céu como nunca tínhamos visto antes. Esse instrumento usado por Galileu para ver o céu ficou conhecido como telescópio e se tornou o maior símbolo da astronomia. Não é à toa que 2009 foi escolhido para ser o Ano Internacional da Astronomia, para comemorar os 400 anos do uso do telescópio.

No século 19, a humanidade conseguiu realizar algo considerado impossível naquela época: dizer do que são feitas as estrelas! Como? Aprendemos a identificar a assinatura deixada por elementos químicos presentes na luz, por meio do estudo de um fenômeno que chamamos de decomposição da luz, que acontece quando a luz branca se divide em várias cores, como vemos num arco-íris. Estudando as várias partes da luz, também aprendemos que podíamos dizer quanto uma estrela roda sobre ela mesma, qual a sua temperatura, qual a sua gravidade, se ela está se aproximando ou se afastando da gente…

Estudando um pouco mais, aprendemos que a luz tem muitas outras partes além das cores que podemos ver. A faixa da luz correspondente às cores – que ficou conhecida como “faixa do visível” – é uma fração muito pequena da luz como um todo!

Aprendemos também que a atmosfera da Terra deixa passar duas faixas da luz: a visível e as ondas de rádio. Essa foi a grande novidade do século passado: passamos a “ouvir” as estrelas por meio das ondas de rádio que elas emitem. Assim, foi criada a Rádio-Astronomia, e as antenas que captam essas ondas de rádio passaram a ser outro símbolo da atividade de um astrônomo.

Para finalizar, neste século inauguramos outra forma de olhar para o céu: criamos equipamentos muito sensíveis, capazes de detectar ondas gravitacionais! As ondas gravitacionais viajam na mesma velocidade que a luz, mas são muito fracas. Por isso precisamos de aparelhos muito refinados. Esperamos que, no futuro, possamos pesquisar ainda mais sobre o Universo com a ajuda dessa descoberta. Mas isso já é assunto para outra coluna.


Jaime Fernando Villas da Rocha
Departamento de Física (DFIS)
Instituto de Biociências,
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Sou astrônomo com diploma e tudo! E um apaixonado pelos astros, a começar pelo planeta em que vivemos. Este espaço fala de como vemos o Espaço, incluindo a Terra.

Matéria publicada em 05.10.2018

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