Academia de astronomia para cientistas mirins

Você chega na escola em um dia qualquer e…Tcharam!!!O professor ou a professora diz assim: “Hoje vamos receber a visita de astrônomos, construir um pequeno jipe para explorar o solo de Marte e, em seguida, trocar ideias sobre o nosso projeto com a equipe da NASA”. Você se belisca e diz: “Alô, Terra chamando! Isso não pode ser verdade!”. Mas é verdade verdadeira! E o melhor: pode acontecer na sua escola!

Ilustração Cruz

 

A Ad Astra é o que podemos chamar de academia para despertar o interesse de crianças e jovens pela Astronomia. Ela é formada por uma equipe de astrônomos que visita escolas e proporciona aos estudantes experiências reais no estudo dos astros.Meninas e meninos aprendem fazendo.Aliás, a primeira tarefa é aprender a aprender. Como? Utilizando o método científico, que tem como principais passos: a identificação de um problema, a formulação de uma pergunta, o levantamento de hipóteses e a realização de experimentos para testar as hipóteses.

Um exemplo do que os estudantes aprendem com os astrônomos é como reconhecer sinais de água ou de vida em Marte e como explorar o planeta. Para responder às questões formuladas sobre esse tema, é preciso sair da sala de aula. Em uma viagem de barco à ilha de Jaguanum, na Costa Verde do Rio de Janeiro,vão descobrindo como reconhecer sinais de vida aqui mesmo, na Terra. Pois é de forma muito semelhante que os cientistas exploram os mistérios do solo marciano.

 

De volta à sala de aula…

Quando retornam à escola, os estudantes analisam o que aprenderam e aplicam o mesmo método ao planeta vermelho. É possível simular uma visita utilizando diferentes tecnologias como Google Mars, imagens de altíssima resolução tiradas em órbita pela câmera HiRISE (que consegue mostrar detalhes extraterrestres de menos de um metro na superfície do planeta) e também imagens da superfície marciana obtidas pelos jipes Spirit, Opportunity e Curiosity (que em português significa:Espírito, Oportunidade e Curiosidade). As imagens da superfície são tão nítidas que parecem cartões postais!

 

Brasil e Estados Unidos

Ah, sim! Faltou dizer que a equipe do Ad Astra é formada por cientistas brasileiros e estrangeiros. No ano de 2018, três cientistas americanos se juntaram aos nossos astrônomos para realizar o projeto: Way cool, que, em português, significa algo como “muito legal” ou “excelente”. A equipe foi à Cidade de Deus, bairro da zona Oeste do Rio de Janeiro, compartilhar essa experiência inesquecível com os adolescentes e pré-adolescentes do Instituto Presbiteriano Álvaro Reis.

Engenheiros trabalhando

Usando sucata e material fácil de obter em casa, os estudantes construíram minijipes que funcionam de verdade. No final, depois de todo mundo estar craque em saber a diferença entre uma cratera de impacto e um lago seco (Saiba mais no quadro Qual é a diferença?), os alunos planejaram uma travessia com o jipe Curiosidade e fizeram uma videoconferência com astrônomos e engenheiros da NASA, nos Estados Unidos. Eles bateram um longo papo com os cientistas americanos e explicaram a eles os planos que tinham para o roteiro de exploração a ser feito pelo jipe.

Para completar, a equipe do Planetário da Gávea – instituição especializada na observação do céu, que fica no Rio de Janeiro –disponibilizou telescópios para os alunos olharem os planetas. O tempo, na ocasião estava excelente (astrônomo tem que esperar o tempo abrir!), e havia cinco planetas visíveis no céu: Vênus, Marte, Júpiter, Saturno e até Mercúrio, que é difícil de ver. Uma noite inesquecível!

E você? Está duvidando que esse projeto seja mesmo excelente? Então acompanhe o depoimento dos alunos que participaram. Quem sabe, você se encanta e leva a proposta para sua escola?

Qual é a diferença?

Um leito de lago seco é um local onde havia um lago no passado, mas a água não está mais lá hoje. Os leitos secos são locais baixos que se enchem com os sedimentos (às vezes com os restos dos seres vivos) que costumavam estar no lago. Uma cratera de impacto é um buraco no solo que se formou quando um asteroide ou cometa atingiu a terra. Elas têm formato de círculos e, às vezes, têm um pico (morro) no meio. Em Marte, algumas crateras de impacto tinham fluxo de água no passado e também eram lagos. Por isso, hoje em dia, existem algumas crateras que também são lagos secos.

Wladimir Lyra
California State University Northridge,

Loloano Silva
Observatório do Valongo,
Universidade Federal do Rio de Janeiro,

Melissa Rice
Western Washington University

Fotos Kyr Lobão/INPAR e Felipe Carelli/Ad Astra

“O projeto Ad Astra foi ótimo. Eu gostei muito das experiências que nós fizemos. Fomos a uma ilha, onde tivemos um dia maravilhoso, vimos um monte de coisas legais, uma tartaruga, conchas,peixes etc. Com os professores americanos,eu aprendi a conversar mais em inglês,eu adorei muito quando eu tive a oportunidade de falar com quem trabalha com astronomia. Eu adorei tudo! Oportunidade maravilhosa que vou levar para vida toda.”
Dielle, 14 anos

 

“Eu gostei muito de ter conhecido o projeto Ad Astra. Tive uma ótima experiência, aprendi muitas coisas sobre o planeta Marte. Nós tentamos descobrir se tinha vida em Marte ou não. Adorei os professores, eles explicaram as aulas muito bem, tive muitas dúvidas e eles tiraram todas elas.Fizemos passeios de campo, fomos ao Museu de Astronomia,ao Planetário da Gávea e falamos com algumas pessoas de lá da NASA. Ad Astra melhor projeto!”
Sara, 11 anos

 

“O projeto Ad Astra foi muito interessante, onde eu aprendi mais sobre os planetas e as estrelas. O que eu achei mais interessante no projeto foi descobrir mais sobre Marte.Gostei do passeio de campo e também teve o passeio no planetário onde eu adorei e achei muito interessante. Com os professores americanos foi muito interessante, mas um pouco complicado porque eles falavam inglês e a gente não. E o último dia dos americanos foi interessante que a gente viu os planetas pelo telescópio e também foi triste porque os americanos tiveram que ir embora. Mas fora isso, tudo foi incrível e maravilhoso. ”
Marina, 15 anos

 

“Uma das experiências mais marcantes foi ter conhecido mais sobre Marte, pois desconhecemos a respeito de outros planetas e sua importância para a humanidade.A primeira experiência que eu tive foi que eu e outros alunos fomos para o Museu de Astronomia aprendemos um pouco de Marte, Vênus e outros planetas. Aprendemos sobre o que acontece com as estrelas, porque elas não aparecem tanto no céu.Minha segunda experiência começou quando os cientistas da NASA chegaram.No primeiro dia de aula foi muito bom. Aprendemos sobre o que é um ser vivo e um ser não vivo. Na terceira experiência aprendemos sobre as tempestades de areias, sobre os polos de Marte, sobre meteoros que caem no planeta e sobre as crateras que ficam no solo. Na quarta aula nós aprendemos a fazer carrinhos como se fosse o robô que tem lá. Depois teve corrida de carrinhos e competição para aquele que era o mais rápido e o mais bonito.Por conta das coisas que eu aprendi, eu decidi que vou estudar para ser bióloga marinha. ”
Ana Júlia, 13 anos

 

“No Projeto da NASA aprendi que a “Rover” anda poucos metros por ano. No telescópio observei dois planetas: Mercúrio e Saturno. Gostei muito da viagem que nós fizemos de barco, eu particularmente fiquei com muito medo quando o barco balançou, mas fora isso, eu gostei muito dessa viagem. Os professores Paul, Carolyn e Melissa foram excelentes explicando para nós sobre Marte e os outros planetas, fazendo demonstrações de como era a areia e falando sobre a possível existência de água em Marte.Eles, pelo que me lembro, não falaram sobre a existência de dinossauros, de monumentos e de animais pré-históricos, mas seria interessante aprender sobre os animais dessa época.”
Cauã, 12 anos

 

“Eu e meus colegas do INPAR passamos uma semana com um grupo de cientistas da NASA, fazendo experiências e assistindo palestras. Aprendemos sobre galáxias, as crateras da Lua e sobre Marte. O meu dia predileto foi quando fizemos um passeio de campo para a ilha de Jaguanum, fizemos muitas experiências e nos divertimos muito.”
Miguel, 12 anos

 

“Gostei muito de participar do projeto da NASA. A parte que mais gostei foi o passeio de campo, onde aprendi muitas coisas boas para poder fazer em toda a minha vida. Aprendi que as evidências de formas de vida no presente e no passado servem para conhecer que há muitas formas de vida, tais como plantas e animais. Que o nosso planeta não é maior que o Sol, mas é maior que a Lua.”
Stephan, 12 anos

Matéria publicada em 07.01.2019

COMENTÁRIOS

Envie um comentário

CONTEÚDO RELACIONADO

A ilha do Natal

Se você encontrasse uma ilha no dia 25 de dezembro, que nome daria?

Nise da Silveira, uma cientista brasileira louca pela medicina

Ela misturava arte e terapia e criou um museu de imagens feitas pelos seus pacientes