A princesa da água

Cultura popular brasileira

Ilustração Luci Sacoleira

Ela era filha de um casal encantado, o rei do céu e a rainha da Terra. Ficou conhecida como a princesa das águas, porque tinha poderes sobre rios, riachos, cachoeiras… Era linda e sua beleza atraía muitos interessados em casar-se com ela. Mas foi o filho do Sol que conquistou seu coração. O casamento foi muito bonito e alegre, foram sete dias e sete noites de festividades.

Quando a festa acabou, os noivos partiram para a casa do Sol. Chegando lá, a princesa das águas disse ao marido que pretendia passar com ele o ano inteiro, exceto três meses que havia de passar com sua mãe. Assim, todos os anos, a princesa das águas passava uma temporada com sua mãe debaixo do mar, num rico palácio de ouro e de brilhantes.

O tempo correu, e a princesa teve um filho. O principezinho ficava com o pai, quando a moça ia visitar sua mãe. Certo ano, porém, a princesa foi para a sua temporada com a mãe, como sempre, mas não a encontrou no palácio. A princesa perguntou sobre sua mãe aos peixes dos rios, às areias do mar, às conchas das praias, mas ninguém lhe respondia. Muito mais do que meses e anos se passaram nessa busca sem sucesso. Cansada e muito triste, ela retornou ao reino do Sol.

Chegando lá, uma surpresa: o rei Sol havia se casado com outra e seu filho, já crescido, estava muito maltratado e triste. A princesa das águas, com muita raiva, pegou seu filho e se mudou para o fundo do mar. Deu ordem para que a maré subisse, e tudo ficou coberto pelas águas. No fundo do mar, a princesa e seu filho ficaram para sempre. Dizem que quem se atreve a olhar fixamente para a água do mar, vê a princesa, é encantado, cai na água e some para sempre.

 

Este conto da cultura popular brasileira foi livremente adaptado pela CHC, do livro Contos Populares do Brasil, de Silvio Romero (domínio público).

Matéria publicada em 29.01.2020

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