Álbum de família

Nesta imagem, os filhotes de raposa-do-campo tinham cerca de um mês e meio de vida. Para localizar esses animais, que têm hábitos noturnos, os pesquisadores usam holofotes e é por isso que os olhos das raposinhas estão brilhando. Eles refletem a luz (fotos: Frederico G. Lemos).

Uma espécie de raposa que vive no Brasil e não gosta de comer galinhas, mas, sim, cupins. Isso existe? Sim. E, pela primeira vez, o dia-a-dia de uma família dessa espécie foi fotografado e filmado. Estamos falando da raposa-do-campo (Pseudalopex vetulus), animal que vive apenas no nosso país, em áreas de cerrado, nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Bahia, Tocantins e, provavelmente, também no Piauí.

Os filhotes de raposinha – como a espécie também é popularmente conhecida – foram localizados, filmados e fotografados pelo biólogo Frederico Gemesio Lemos, professor da Universidade Federal de Goiás, em parceria com outros três pesquisadores: Fernanda Cavalcanti de Azevedo, Hugo Costa e Kátia Facure.

Os pequenos animais fazem parte de uma família de raposas-do-campo, composta ainda por um macho e uma fêmea, encontrada em uma fazenda no município de Cumari, no sul de Goiás, que está localizada a cerca de 80 quilômetros de Uberlândia, Minas Gerais.

“Encontramos essa família em outubro de 2007, mas como os filhotes já estavam saindo da toca, o que geralmente somente acontece um mês após o nascimento, acreditamos que eles tenham nascido no mês de setembro”, conta Frederico Lemos.

Aqui um filhote que já está com cerca de três meses e meio de vida, aproximadamente.

As raposas-do-campo transformaram uma toca abandonada de tatu em seu lar, depois de cavar um pouquinho para alargar a moradia. Curiosamente, o lugar escolhido como abrigo para os filhotes fica a apenas 400 metros de uma casa habitada, que existe nos limites da fazenda. “Isso indica que não há pressão de caça sobre a espécie no local”, explica Frederico.

Desde a descoberta, o biólogo e seus parceiros de trabalho têm monitorado os animais, na tentativa de obter mais informações sobre a espécie, considerada uma das sete menos estudadas do mundo na família dos cães, lobos e raposas. Todo o esforço tem sido recompensado. As fotos tiradas dos filhotes mamando, comendo ou brincando, por exemplo, são as primeiras já feitas e mesmo imagens dos adultos, também realizadas, são algo raro de achar. Tudo porque a espécie tem hábitos noturnos, sendo difícil de encontrar e estudar, ainda mais porque os animais não se mostram, em outras regiões do país, tão tranqüilos e fáceis de seguir quanto os presentes no sul de Goiás.

Além de fazer fotos e imagens em vídeo desses animais tão pouco estudados, os pesquisadores também querem saber mais sobre o comportamento das raposas-do-campo com os filhotes. “Até bem pouco tempo atrás, muito pouco era conhecido sobre o cuidado parental dessa espécie, mas pesquisas mais recentes têm mostrado que o papel do pai na criação dos filhotes é maior do que se pensava e é isso que queremos estudar”, conta Frederico. O biólogo e seus parceiros de pesquisa querem saber, por exemplo, até quando os filhotes vão permanecer com os pais. E até já fizeram algumas observações importantes, que serão divulgadas no momento oportuno.

De brinde, porém, eles podem contar alguns fatos que observaram. Por exemplo, que o pai dos filhotes está bastante presente no cuidado de suas crias, seja vigiando as proximidades da toca, rosnando e até avançando em quem quer que ouse se aproximar em excesso.

Mas você está curioso mesmo é para saber se os filhotes são machos ou fêmeas? Infelizmente, isso ainda não dá para responder. Porém, é por um bom motivo! O fato é que machos e fêmeas de raposa-do-campo não têm grandes diferenças na aparência, então, para responder a essa pergunta seria preciso examinar os filhotes. Só que os pesquisadores não querem mexer neles, ao menos por enquanto, para não interferir na vida da família.

Este é o pai dos filhotes de raposa-do-campo localizados no sul de Goiás.

Os biólogos, porém, estão de olho, pois, quando ficarem mais velhos, os filhotes podem apresentar comportamentos que indicam quem são os machos e as fêmeas. Isso porque essa espécie tem o hábito de demarcar território com urina e, para tanto, as fêmeas costumam se agachar, enquanto os machos fazem xixi com uma das pernas levantadas.

É, não dá vontade de parar de falar da família de raposas-do-campo lá do sul de Goiás. Mas, desse jeito, você não vai poder nem curtir as fotos desses animais tão especiais. Então, meninas e meninos, dêem uma espiada em um pouquinho da natureza que veio parar na tela do seu computador e aguardem mais novidades sobre as raposinhas muito em breve!

Matéria publicada em 21.07.2010

COMENTÁRIOS

  • Maria Eduarda

    Família é uma coisa tão boa e sempre vale a pena guardala na memória comigo por exemplo no álbum da família!
    Procurei por vários sites e achei essa matéria no CHC e achei super interessante cliques e adorei li cada parágrafo com bastante conforto espero mais matérias assim sempre os acompanhei e sempre os adorei!

    Publicado em 9 de setembro de 2021 Responder

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Mara Figueira

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