Adesivos inteligentes

Ei, cuidado! Ficar muito tempo exposto aos raios do Sol pode fazer mal à saúde. Mas como saber qual é a hora certa para procurar uma boa sombra? Cientistas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) foram muito criativos e deram um jeito de resolver esse problema.

A solução está em um adesivo feito de papel, que pode ser colado na pele ou mesmo na roupa. Originalmente vermelho, o adesivo muda de cor conforme é exposto ao Sol: fica alaranjado quando passa pouco tempo sob os raios solares e amarelo quando exposto por um tempo maior. Por fim, ele passa para a cor verde e, quando isso acontecer, é hora de dizer tchau para o Sol.

Os adesivos inteligentes podem ter formato de coração, estrela, bichinhos e muitos outros! (foto cedida por Rodrigo Bianchi)

Os adesivos inteligentes podem ter formato de coração, estrela, bichinhos e muitos outros! (foto cedida por Rodrigo Bianchi)

“Chamamos esse pequeno adesivo de SunSticker e ele é um pequeno sensor que monitora a quantidade de radiação solar recebida por alguém”, conta o físico Rodrigo Bianchi, coordenador do projeto. O adesivo pode ser usado tanto quando vamos à praia quanto à cidade, já que o Sol está em todos os lugares. Rodrigo diz que essa ideia pode ser muito útil também para trabalhadores que fiquem muito tempo expostos à radiação solar.

Mas, afinal, como o adesivo consegue mudar de cor? Parece mágica, mas é pura ciência. Acontece que alguns materiais orgânicos sofrem um processo que chamamos de foto-oxidação. É simples: quando recebem luz, suas moléculas passam por alterações químicas e uma dessas alterações pode ser a mudança de cor.

Colado na pele ou na roupa, o adesivo muda de cor após ficar exposto ao Sol por um certo tempo. (foto cedida por Rodrigo Bianchi)

Colado na pele ou na roupa, o adesivo muda de cor após ficar exposto ao Sol por um certo tempo. (foto cedida por Rodrigo Bianchi)

Então, o SunSticker nada mais é do que um simples pedacinho de papel com minúsculas camadas de material orgânico – algumas são mais finas que um fio de cabelo! Segundo Rodrigo, o produto, desenvolvido com tecnologia 100% nacional, deverá estar no mercado em cerca de um ano. E vai custar bem baratinho: menos de um real cada adesivo.

Bebês coloridos

Esse é um bebê com icterícia neonatal. Vê como ele é um pouco amarelado? (Imagem: Domínio Público)

Esse é um bebê com icterícia neonatal. Vê como ele é um pouco amarelado? (Imagem: Domínio Público)

Outra ideia bem bacana que o pessoal teve foi aproveitar a mesma técnica para melhorar o serviço das maternidades. Muitos bebês, quando nascem, têm em seu sangue excesso de uma molécula chamada bilirrubina. Essa molécula deixa a criança amarelada, condição que recebe o nome técnico de icterícia neonatal, mas é  conhecida popularmente como amarelão.

A boa notícia é que a solução costuma ser simples: basta expor o bebê à luz azul, em um tratamento chamado fototerapia. Esse tipo de radiação tem o poder de quebrar a molécula de bilirrubina, fazendo com que ela seja em seguida eliminada pelo suor ou pela urina.

Mas existe uma quantidade certa de luz azul que a criança deve receber – não pode ser muito, nem pouco. É aí que entra o outro adesivo desenvolvido pelos cientistas da Ufop, que foi batizado de NeoSticker. Colado na pele do bebê ou mesmo na fralda, ele muda de cor quando a criança tiver recebido a dose certa de luz azul. “Essa é uma tecnologia inédita no mundo”, comenta Rodrigo.

O pessoal da universidade espera que o NeoSticker esteja disponível no mercado dentro de aproximadamente dois anos. Os bebezinhos agradecem, não é mesmo?

Matéria publicada em 24.11.2014

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Henrique-Kugler

Adoro viajar e fotografar. Conhecer músicas de diferentes lugares do mundo é meu passatempo favorito. Ah, e adoro comer chocolate e tomar chimarrão – uma espécie de chá de erva-mate, planta típica do sul do Brasil.

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