Na crista da onda… sonora!

De forma simples, os físicos descrevem o som como uma onda que, para se propagar, precisa de um meio – seja ele um gás (como o ar), um líquido ou, até mesmo, uma superfície sólida. A onda sonora é chamada assim porque seu movimento lembra as oscilações de uma onda no mar. Mas, ao contrário daquelas que vemos nas praias, as que chegam aos nossos ouvidos são invisíveis e geradas a partir da vibração de algum objeto, que pode ser a corda de um violão, a membrana de um tambor ou o cone de um alto-falante, por exemplo.

Essas ondas se propagam no ar em várias direções. Se elas encontram algum obstáculo, batem e voltam. É isso o que acontece quando ouvimos o nosso eco: as ondas sonoras geradas pela vibração de nossas cordas vocais encontram alguma barreira e voltam para nós, fazendo-nos escutá-las duas vezes.

comprimento de onda

A onda sonora tem um comprimento. O número de ondas que passam por um ponto qualquer durante o intervalo de um segundo é chamado de frequência. Guarde este nome! A frequência é essencial para entendermos por que alguns animais conseguem ouvir sons que outros nem imaginam que existem.

A frequência determina se o som é mais grave ou mais agudo. Se a onda tem um comprimento mais longo e, portanto, uma frequência menor, seu som é mais grave. Quanto menor o comprimento da onda, maior a frequência e mais agudo o som. A unidade que os cientistas usam para medir a frequência chama-se Hertz (Hz).

Coral animal

Imagine elefantes, baleias, macacos, morcegos, pássaros, golfinhos, cães, gatos e seres humanos, todos reunidos em um extenso coral. A ideia parece linda, mas, na prática, haveria um pequeno problema: quem seria o maestro? Nenhum ser vivo é capaz de escutar com perfeição todos os sons que esse coral imaginário produziria. Isso acontece porque cada animal está preparado para ouvir e emitir sons em uma determinada faixa de frequência.

O homem, por exemplo, quando ainda jovem, é capaz de distinguir sons entre 20Hz e 20.000Hz. Abaixo ou acima desses limites, o ouvido humano simplesmente não escuta. Já os cães, os gatos e os cavalos ouvem sons com até 45.000Hz. Adestradores de cães costumam usar apitos que emitem sons em frequências altas que nós não escutamos, mas que os cachorros percebem com clareza.

Muito ativos durante a noite, os morcegos usam as ondas sonoras para se guiarem e desviarem de obstáculos. (foto: PD-USGov / Domínio público)

Muito ativos durante a noite, os morcegos usam as ondas sonoras para se guiarem e desviarem de obstáculos. (foto: PD-USGov / Domínio público)

Um dos animais com o ouvido mais aguçado é o morcego. Ele consegue escutar sons de até 75.000Hz, em média. Há uma explicação natural: o morcego, por conta de sua vida noturna, precisa utilizar sua audição, mais do que sua visão, para se guiar e capturar as presas.

Durante um voo, o morcego emite sons de alta frequência, portanto, agudos. Essas ondas sonoras ecoam pelo ambiente, batem em diversos obstáculos e voltam. Chegando de volta ao ouvido do morcego, os sons são interpretados pelo cérebro do animal, que consegue descobrir os obstáculos que estão ao seu redor. Assim, ele é capaz, por exemplo, de perceber a movimentação de uma presa e calcular o momento certo de atacar, mesmo sem estar enxergando bem.

Se você vir no zoológico um elefante de boca aberta, não pense logo que ele está bocejando: vai ver o bicho está emitindo um som que seu ouvido humano não é capaz de escutar! (foto: Michelle Gadd / USFWS / <a href=https://creativecommons.org/licenses/by/2.0>CC BY 2.0</a>)

Se você vir no zoológico um elefante de boca aberta, não pense logo que ele está bocejando: vai ver o bicho está emitindo um som que seu ouvido humano não é capaz de escutar! (foto: Michelle Gadd / USFWS / CC BY 2.0)

Enquanto o morcego e alguns de seus parentes roedores estão entre os animais que ouvem sons mais agudos, as baleias e os elefantes estão entre os que ouvem – e emitem – os sons mais graves. Eles trabalham com uma faixa de frequência de até 20Hz. Por isso, se você vir um elefante abrindo a boca no zoológico e não ouvir nada, não pense que ele está bocejando ou se fingindo de mudo. Ele pode estar emitindo sons infrassônicos (como são chamados aqueles abaixo de 20Hz), que nós não escutamos!

(Esta é uma reedição do texto publicado na CHC 105.)

Matéria publicada em 11.02.2015

COMENTÁRIOS

  • Rodrigo

    Muito interessante que nos não ouvirmos tudo

    Publicado em 17 de junho de 2020 Responder

    • Julia Ferreira de Souza Gomes

      Muito incrível

      Publicado em 15 de setembro de 2020 Responder

  • Davi leite soares

    Eu gostei, adorei saber como os animais se comunicam

    Publicado em 30 de junho de 2020 Responder

  • Julia Ferreira de Souza Gomes

    Nossa muito bom fala como eo morcego muito bom

    Publicado em 15 de setembro de 2020 Responder

  • Ana Gabriela da Silva Gomes

    Muito bom

    Publicado em 22 de abril de 2021 Responder

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Fernando Marroquim

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