Baleia à vista!

Parece até história de pescador. Só que o bicho em questão não é um peixe e quem relata os fatos nem pensa em empunhar uma vara de pescar. Estou falando da incrível jornada de uma baleia-cinza, já contada aqui na CHC on-line, que foi encontrada a milhares de quilômetros de seu lar: as águas do oceano Pacífico, na costa oeste dos Estados Unidos e do Canadá. No início de maio, ela foi vista pela primeira vez no mar Mediterrâneo, no litoral de Israel. Agora, pesquisadores relatam que, no último dia do mês, observaram o mesmo animal no porto de Barcelona, na Espanha, nadando vagarosamente na direção sul.

A baleia-cinza é fotografada nas águas do porto de Barcelona, na Espanha (foto: Rodrigo Barahona/SUBMON).

Fotos da baleia em águas espanholas foram comparadas às tiradas na costa israelense e mostraram que se tratava do mesmo animal. “A baleia-cinza teria viajado de Israel à Espanha em 23 dias”, contou à CHC On-line o biólogo Manel Gazo, do SUBMON, organização espanhola dedicada ao estudo e conservação do ambiente marinho. “Uma viagem a essa velocidade indica que o animal não está em tão más condições de saúde quanto imaginado em um primeiro momento. Mas não é possível definir o seu real estado de saúde apenas pelas fotografias.”

As setas apontam semelhanças entre a cauda da baleia-cinza encontrada no início de maio em Israel (à esquerda) e a que foi avistada na Espanha (à direita). Segundo os biólogos, trata-se do mesmo animal (fotos: Aviad Scheinin e Rodrigo Barahona)

No momento, SUBMON está em contato com diferentes grupos de estudo de mamíferos marinhos por toda a costa mediterrânea da Espanha para tentar avistar novamente a baleia. O objetivo é encontrá-la para poder avaliar suas condições de saúde, reduzir o risco de colisão com navios e, quem sabe, fazer novas descobertas a respeito da espécie!

Em 23 dias, a baleia seguiu de Israel (ponto mais à direita do mapa) para Barcelona (ponto mais à esquerda). Imagem cedida por Manel Gazo/SUBMON.

“A ideia é obter uma pequena amostra de pele da baleia. Isso pode ser feito lançando, com um arco, um dardo em sua direção. Ou mesmo recolhendo as amostras de pele que costumam fica flutuando na água quando esses indivíduos mergulham”, conta Manel Gazo. Esse material seria útil para determinar a origem genética do animal. Ou seja, saber a qual população do oceano Pacífico ele pertence. “Quem sabe até tenhamos uma surpresa e a análise indique uma ligação com populações de baleia-cinza que viviam no Atlântico Norte e foram extintas há 300 anos”, especula o biólogo.

É, a história da baleia que está perdida no mar Mediterrâneo pode render ainda muitas novidades. Manel Gazo prometeu me avisar, caso a baleia volte a ser avistada. Então, vamos aguardar e… torcer por esse mamífero marinho em sua intrépida viagem!

Matéria publicada em 14.06.2010

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