Abelhas contra a poluição

Você sabia que algumas espécies podem nos alertar quando algo está errado no ecossistema em que vivem? É possível, por exemplo, analisar o intestino de peixes baiacus para checar se a área está poluída ou observar a presença de borboletas para saber a qualidade do ar que respiramos.

Agora, uma pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto encontrou mais um bom exemplo: o mel e o pólen estocados em ninhos de abelhas sem ferrão também podem indicar os níveis de poluição do ar. A descoberta foi feita após a análise de ninhos da abelha Jataí.

O mel e o pólen produzidos pela abelha Jataí, espécie sem ferrão, podem ajudar a indicar os níveis de poluição no ar. (Foto: Antonio Machado / Flickr / <a href=http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/deed.en_GB>CC BY 2.0</a>)

O mel e o pólen produzidos pela abelha Jataí, espécie sem ferrão, podem ajudar a indicar os níveis de poluição no ar. (Foto: Antonio Machado / Flickr / CC BY 2.0)

“Escolhemos a abelha Jataí para o estudo, pois a espécie não tem ferrão, o que facilita nosso trabalho, e costuma visitar diferentes plantas presentes na área em que vive”, conta a bióloga Nathália Nascimento, responsável pela pesquisa.

Para realizar os testes, os cientistas colocaram os ninhos em vários lugares diferentes, próximos a uma área de mineração e a uma área florestal. “Ao estudar o mel e o pólen estocados nos ninhos, observamos a presença de muitos elementos químicos em concentrações altas, que podem se tornar tóxicas e prejudiciais, em amostras coletadas próximas às mineradoras”, explica Nathália. “Esse resultado mostra que as abelhas podem ajudar a confirmar como a mineração contribui para a poluição do ar”.

Sinais de poluição
Mas como será que esses elementos vão parar no mel e no pólen das abelhas? Nathália explica que as flores, responsáveis por produzir o néctar usado para fabricar o mel e o pólen, ficam expostas a partículas suspensas no ar, como os metais poluentes cobre, arsênio e chumbo.

Ninho de abelha de onde foram retirados pólen e mel para análise. (Foto: Fernanda Ataíde de Oliveira)

Ninho de abelha de onde foram retirados pólen e mel para análise. (Foto: Fernanda Ataíde de Oliveira)

“Quando as abelhas voam até as plantas para coletar o pólen e o néctar, levam para a colônia esses metais pesados”, diz. “Analisando esses produtos que ficam guardados nas colmeias, podemos medir a concentração desse tipo de substância tóxica naquele ambiente”.

Para a bióloga, o estudo pode servir para que empresas mineradoras controlem os níveis de metais pesados que lançam no ar e para a criação de regras mais rígidas para monitorar essa poluição. Além disso, também deve ajudar a entender porque as abelhas estão desaparecendo. “Há uma grande preocupação sobre a diminuição das populações de abelhas em diversas partes do planeta, pois elas são muito importantes para o meio ambiente”, conta Nathália. “Existe a suspeita de que uma das causas seja justamente a contaminação de suas fontes de alimento, o néctar e o pólen”.

Matéria publicada em 12.01.2015

COMENTÁRIOS

  • Aguirry

    Interessante não sabia disso

    Publicado em 21 de setembro de 2020 Responder

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Isabelle Carvalho

Desde criança, sempre gostei de ler e escrever histórias. Hoje, estou muito feliz por poder contar muitas histórias sobre ciência na CHC!

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