2010, o ano dos terremotos?

O ano mal começou e dois grandes terremotos já assustaram o mundo: um no Haiti, em janeiro, e outro no Chile, em março. Com esses acontecimentos, surge o medo: estamos seguros no Brasil? Afinal, o Chile é nosso vizinho e o Haiti, na América Central, nem está tão longe assim. Será, então, que 2010 é o ano dos terremotos?

(Ilustração: Mario Bag).

Sem pânico

Segundo o geofísico George Sand França, do Observatório Sismológico de Brasília, não há motivos para pânico. “É difícil acontecer um terremoto no Brasil”, diz ele. E a explicação para isso é simples.

Imagine você que a superfície do nosso planeta pode ser comparada a um quebra-cabeça. Isso porque ela se divide em enormes blocos de rochas, as placas tectônicas, que estão em constante movimento. Por se moverem, essas placas podem se chocar. E quando isso acontece, temos um terremoto: a terra treme! Algo que é sentido com muito mais intensidade em locais que estão bem na beirinha das placas tectônicas. O que não acontece com o Brasil! O nosso país está localizado bem no meio de uma placa tectônica, não na borda. Portanto, mais distante do lugar exato onde há o choque entre as placas tectônicas e onde os tremores apresentam força total.

No Brasil, só reflexos
Em nosso país, o que podemos sentir são reflexos dos grandes tremores, que ocorrem nas bordas das placas tectônicas. Por exemplo, reflexos dos tremores que sacudiram o Chile. “É algo menos intenso, mas que não pode ser ignorado”, conta George França. “O importante que as cidades grandes desenvolvam estrutura adequada para lidar com situações como essas.” É o caso do Japão, que por ter tantos terremotos, aposta em construções mais resistentes para enfrentá-los.

Cada vez piores?

Além de despertar o receio de que um terremoto aconteça no Brasil, as cenas de destruição vistas no Chile e no Haiti levaram muitas pessoas a ter a impressão de que os tremores de terra estão cada vez mais frequentes e fortes em todo o mundo. Mas será que isso é verdade?

George conta que não. Ele explica que a intensidade dos terremotos mais recentes tem sido semelhante a outros ocorridos em anos anteriores. O que torna os terremotos no Haiti e no Chile mais assustadores é o fato de eles terem ocorrido em áreas onde vive um grande número de pessoas. Antigamente, a população das cidades era pequena. Não havia tantas construções. Por isso, um terremoto de 7 graus na escala Richter gerava menos mortes e destruição do que hoje em dia, quando as cidades têm mais habitantes e edifícios.
Veja placas tectônicas que formam a superfície do nosso planeta. Em vermelho, estão os limites desses blocos de terra (gráfico: Nato Gomes).
O próximo já está a caminho?

E para quem pensa que 2010 será o ano dos terremotos, o geofísico lembra que tremores de terra acontecem todos os anos. “A gente é que esquece”, diz. Ou será que você lembra que, em 2008, um terremoto de grande intensidade sacudiu a China e, em 2007, o mesmo aconteceu no Peru?

(Ilustração: Ivan Zigg).

Ah! E não é porque aconteceram dois terremotos neste ano que um próximo deve estar a caminho. É verdade que, apesar de muitos estudos, ainda não há como prever quando nem onde vai ocorrer o próximo tremor. Mas a ciência está aí para nos mostrar o que é verdade – e o que é apenas fantasia – com relação aos terremotos. Então, vamos fazer um acordo? Não dê ouvido a exageros e… nada de pânico!

Medindo terremotos
Criada em 1935 por Charles Francis Richter, a escala Richter mede a magnitude de um terremoto, ou seja, a quantidade de energia desprendida por ele. Até hoje, o terremoto de maior magnitude atingiu 9,5 graus e aconteceu no Chile, em 1960.

 

Matéria publicada em 12.03.2010

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Debora-Antunes

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